Europa: Desemprego Elevado Hoje, Falta de Trabalhadores Amanhã

Europa – Cultura Urbana Individualista

Na Europa, o índice crescimento demográfico já se apresenta negativo, ou seja, a população está diminuindo, o que pode gerar graves problemas sociais, como a crise previdenciária. Nas próximas décadas, haverá uma drástica redução da PEA (população economicamente ativa), e ao mesmo tempo o número de idosos deverá aumentar. Então, o que os trabalhadores pagam à previdência não será suficiente para atender às necessidades dos aposentados. Para reverter essa tendência catastrófica, alguns países europeus têm incentivado a natalidade. Dentre os estímulos, os mais comuns são as isenções de impostos e o pagamento de uma espécie de salário para as famílias que se dispõem a ter filhos. Tais medidas têm-se mostrado inócuas, enfrentando a resistência de uma cultura urbana individualista, calcada na chamada sociedade de consumo. Nessa cultura existe a idéia de que o prazer é o fim principal da existência (hedonismo), podendo ser notadas características muito fortes de narcisismo (intensa auto-admiração ou uma preocupação exacerbada consigo mesmo) o que explica, em grande parte, a proliferação de academias de ginástica, onde as pessoas buscam a beleza e a juventude eternas, que seriam garantia de prazer e bem-estar.

Imigrantes, uma Possível Solução

Uma medida que poderia compensar o baixo crescimento vegetativo europeu seriam as imigrações, que poderiam resultar num crescimento horizontal positivo – imigrações maiores do que as emigrações. Entretanto, não há predisposição alguma desses países em estimular o ingresso de estrangeiros. Ao contrário, medidas restritivas aos imigrantes têm sido tomadas em praticamente todo o mundo desenvolvido. A exceção é a mão-de-obra qualificada que, por ser rara, costuma ser incentivada por meio de políticas oficiais. Essa contradição reflete as necessidades da economia contemporânea, capitaneada por setores dinâmicos, como a informática, as telecomunicações, a robótica e os serviços financeiros. Desse modo, nota-se, de um lado, carência generalizada de profissionais altamente qualificados, isto é, dotados de escolaridade maior,  versatilidade, inatividade e capacidade de integração ao ambiente da empresa e à esfera sociocultural , De outro, há forte repulsa em relação ao imigrante tradicional, que antes (até a década de 1970) era recrutado para atuar em grandes empresas, em geral como operário de baixa qualificação e baixo nível de instrução.

Esses trabalhadores, que chegaram em grande número logo após a Segunda Guerra, oriundos dos antigos impérios coloniais, eram empregados nos setores automotivo, metalúrgico, químico, da construção civil etc. Hoje são discriminados e sofrem todo tipo de perseguição. A Europa Ocidental, por exemplo, foi uma importante área de atração de população, proveniente principalmente da África e da Ásia. A partir da década de 1980, a maioria dos países da Europa Ocidental criou medidas para conter o fluxo imigratório. Uma das razões para a adoção dessas medidas foi a diminuição no ritmo do crescimento econômico, que acentua o desemprego. Outro fator foi o colapso do socialismo (1989), que gerou uma grave crise socioeconômica em vários países do Leste Europeu que, assim, passou a constituir numa nova área de repulsão populacional. Ocorre que os medíocres índices de crescimento econômico e a incapacidade de absorver todas as pessoas, muitas das quais estrangeiras, que tentam ingressar no mercado de trabalho a cada ano, geram desemprego crescente. Este, por sua vez, provoca a exacerbação da xenofobia.

Crise da Previdência

 

Na verdade, o fantasma do desemprego cria dois problemas: desestimula a natalidade, gerando o envelhecimento rápido da população, ou seja, o predomínio crescente de adultos e idosos. Em 30 anos, os idosos serão 40% da população da Alemanha e da Itália, fato que exigirá uma maior assistência previdenciária. Por outro lado, a arrecadação de impostos deverá cair, em decorrência de uma PEA cada vez mais restrita, muitos trabalhadores deverão se aposentar. Essa verdadeira bomba-relógio, como vimos acima, chama-se crise da previdência acentua a xenofobia e restringe a imigração  que poderia reverter o envelhecimento rápido da população, já que os estrangeiros procedentes do mundo subdesenvolvido são, geralmente jovens e propensos a terem vários filhos.

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