Fatores da Revolução Inglesa

Fatores da Revolução Inglesa

O absolutismo inglês foi muito fraco e de curta duração, se comparado ao de outros países europeus. Os reis absolutistas ingleses não podiam dispor das pessoas e propriedades dos súditos como bem entendessem. Os súditos tinham direitos garantidos desde a Idade Média e deles só podiam ser privados por meio de julgamentos.

Apesar de o absolutismo inglês ser mais brando que seus congêneres europeus, ele interferia bastante nos interesses dos cidadãos. Era o Estado que, utilizando a política econômica mercantilista, determinava o que deveria ser produzido, como produzir e quem deveria fazê-lo. Os burgueses e outras classes ligadas às atividades mercantis queriam ter a liberdade de decidir o que fazer com seus bens ou onde aplicar livremente seus capitais.

O Estado absolutista inglês havia promovido a expansão comercial e permitido o desenvolvimento do capitalismo, mas agora freava sua evolução. O Estado protegia e enriquecia apenas a grande burguesia e os nobres que viviam dos monopólios, limitando as chances dos demais grupos. Então, para que os grupos de médios e de pequenos proprietários tivessem oportunidade de participar e enriquecer com novas atividades econômicas, era preciso fazer mudanças políticas. A maioria da população inglesa estava farta do absolutismo, que, através da religião, controlava a fé. Também estava cansada de sustentar, com o dízimo, uma legião de clérigos que não gozava de muita credibilidade. Para acabar com a Igreja oficial, tinha de acabar com o poder absoluto do rei, que mantinha e era mantido por ela.

Jaime I e Carlos I

O rei Jaime I e seu filho e sucessor Carlos I almejavam criar uma monarquia absoluta de direito divino, por isso raramente convocavam o Parlamento. As finanças reais só contavam com os recursos das propriedades da Coroa e com a cobrança dos impostos já votados pelo Parlamento. Então, para evitar o Parlamento, o rei Stuart exigia empréstimos dos ricos e vendia monopólios e títulos de nobreza. Estes últimos eram tantos que já estavam totalmente desmoralizados. Muitos homens de dinheiro recusavam-se a comprá-los e eram multados. Essas multas eram uma boa fonte de renda para os cofres reais. O Parlamento, por sua vez, procurava firmar sua independência e tomar seu poder mais forte do que o do soberano. O conflito entre os dois poderes eclodiu no governo de Carlos I, que prendeu arbitrariamente seus opositores e, em 1629, dissolveu o Parlamento. O rei passou a governar sozinho e perseguindo os parlamentares. A luta entre os dois poderes chegou ao auge.

Na Escócia, onde predominava a religião presbiteriana, Carlos I tentou impor o anglicanismo. Os escoceses revoltaram-se e invadiram a Inglaterra. O rei, pressionado, reconvocou o Parlamento, em 1640, que permaneceu ativo até 1653, ficando conhecido como Longo Parlamento ou o Parlamento que levou a monarquia inglesa à destruição.

Os deputados calvinistas fizeram o rei decapitar os ministros Strafford e Laudo e decidiram que os impostos não poderiam ser elevados sem a aprovação do Parlamento, o qual deveria ser convocado, pelo menos, a cada três anos. O soberano aceitou todas as exigências. A maior parte das conquistas definitivas da Revolução Inglesa deu-se no primeiro ano da reunião do Longo Parlamento. Os deputados oposicionistas concluíram que o absolutismo tinha de ser desmantelado. Os tribunais especiais para crimes religiosos foram suprimidos, os bispos foram proibidos de participar da Câmara Alta (Câmara dos Lordes) e o Longo Parlamento foi declarado indissolúvel. Mas o rei, limitado em seu poder, pretendia suspender todas essas conquistas na primeira oportunidade.

Pressão das Seitas Religiosas Radicais

Nas ruas, as seitas religiosas radicais pressionavam pela aprovação de medidas populares, como a proibição dos cercamentos e a distribuição de terras ao povo. Também ameaçavam os bispos anglicanos, acusando-os de serem partidários do papa e de quererem restaurar o catolicismo, religião odiada na Inglaterra. No médio, os parlamentares da Câmara dos Comuns não desencorajaram os movimentos populares. Mas quando as leis religiosas repressivas foram desmanteladas e as seitas radicais começaram a celebrar publicamente seus cultos, a ocupar as terras cercadas e a pressionar o Parlamento, a situação mudou.

Temendo as agitações populares, os deputados moderados, os presbiterianos, já pensavam em acomodar seus interesses aos do rei. O soberano não entendia esses acenos de paz e só pensava em vingança contra os adversários. Nesse ínterim, estourou, em 1641, uma rebelião católica na Irlanda. Os deputados partidários do rei e os contrários a ele estavam de acordo numa questão: era necessário um grande exército para derrotar os católicos irlandeses. No entanto, discordavam quanto ao comando do exército, se caberia ao rei ou ao Parlamento. Os deputados puritanos negaram a chefia do exército ao rei, acusando-o de incapaz. Este ordenou a invasão do Parlamento para prender alguns deputados que o haviam ofendido. Os deputados refugiaram-se então na City, o centro comercial de Londres, onde estourou uma rebelião armada, de apoio ao Parlamento, dando início à guerra civil.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral