O Descobrimento do Brasil

O descobrimento do Brasil, em 1500, está ligado ao processo da expansão marítima dos países europeus, que visava o comércio com o Oriente.

A expansão marítima comercial europeia dos séculos XV e XVI está associada à superação das crises que assinalaram o fim do feudalismo e o início dos tempos modernos.Portugal foi o país pioneiro na expansão marítimaeprimeiro Estado moderno europeu.

No início do século XVI, logo após achegadade Cabral ao Brasil, Lisboajá era um dos maiores centros comerciais da Europa e tornara-se um grande entreposto das especiarias provenientes das Índias como cravo, canela, gengibre, pimenta-do-reino e produtos provenientes da África como marfim, ouro, escravos, sal e outros itens muito valorizados na Europa.

A descoberta do Brasil não mudou este panorama, pois de início, não se encontrou no Brasil nenhum produto valioso que superasse o interesse pelas especiarias da Índia ou os produtos africanos. Assim, Portugal concentrou seus recursos no comércio com o Oriente, deixando o Brasil a cargo das expedições exploradoras e guarda-costas que eram mandadas eventualmente, sem se preocupar com a ocupação do território, ou com o início da colonização.

A primeira expedição foi chefiada por Gaspar de Lemos e chegou ao Brasil em 1501. Percorreu todo o litoral dando nomes a alguns locais, de acordo com os santos do dia e com o calendário, como era usado naquela época.Essa expedição confirmou aexistênciaem todo o litoral brasileiro de pau-brasil, madeirajá conhecida na Europa e usada para tingir tecidos de vermelho.

Em 1503 veio ao Brasil a expedição de Gonçalo Coelho, buscando encontrar novas riquezas e fazer um carregamento de pau-brasil. Fundou os primeiros depósitos de pau-brasil e de trocas com os índios. Esses postos eram chamados de feitorias, na região de Cabo Frio e Rio de Janeiro.

Para extração da madeira, estabeleceu-se entre índios e portugueses o escambo, um tipo de relação em que os índios cortavam as árvores e carregavam amadeirapara afeitoria, recebendo em troca de seu trabalho, objetos vistosos e desconhecidos para eles, mas de pouco valor para os portugueses como pentes, colares, espelhos, facas e machados.

O pau-brasil passou a interessar também a outros países que na época desenvolviam também a sua expansão marítima, como a França, que passou a mandar piratas e exploradores para a costabrasileira, o que colocava em risco o domínio português na colônia.

Portugal enviou, então, duas expedições guarda-costas comandadas por Cristóvão Jacques em 1516 e 1526, mas devido à grande extensão da costa brasileira, tornava-se quase impossível o policiamento e o controle do litoral.

Nessa mesma época, devido ao aumento da concorrência no comércio de produtos orientais na Europa, o Rei de Portugal, D. João III resolveu dar início à colonização do Brasil, organizando aprimeira expedição colonizadora lideradapor Martim Afonso de Souza.

O início da colonização

Pensando em garantir a fixação dos portugueses em solo brasileiro, Martim Afonso de Souza, trouxe soldados para expulsar os invasores, colonos para povoarem, sementes e ferramentas agrícolas e tinha a intenção de procurar ouro para garantir o início do povoamento.

Como colonizador, distribuiu lotes de terras, as sesmarias, aos novos habitantes, iniciando o plantio da cana-de-açúcar e construindo o primeiro engenho da colônia.

Fundou ainda o primeiro povoamento do Brasil, avilade São Vicente no atual estado de São Paulo. Martim Afonso de Souza retomou a Portugal em 1533, tornando-se o primeiro governador do Brasil, que se transformava no principal pólo colonial dos interesses dos portugueses. Era preciso tentar atrair colonos para o Brasil com promessas de riquezas, e como no Brasil, não se encontrara ainda o ouro, ou outros metais preciosos, como ocorrera com os espanhóis em suas colônias americanas, a Coroaportuguesa acabou por optar pela produção de um artigo tropical muito valorizado na Europa que era o açúcar, que prenunciava grandes lucros a quem o produzisse.

Para a implantação do sistema de colonização, orei D.João III utilizou um sistema que já havia implantado no arquipélago dos Açores e Madeira e que havia dado certo, ou seja, a doação de grandes lotes a fidalgos portugueses. Assim, a metrópole garantia a posse da colônia e quem teria os gastos com a colonização seriam os particulares a quem fora feita a doação.

Capitanias hereditárias

Para acelerar a colonização e o desenvolvimento da ocupação das terras, a Coroa doou 15 extensas faixas de terra do litoral ao limite de Tordesilhas, a 12 donatários portugueses.

Para atraí-los para a nova terra, a Coroa dava o direito de explorar, cada um sua capitania e transmiti-la como herança ao filho mais velho.

As relações entre o rei e os donatários e também entre os colonos, era definida primeiro na Carta de Doação, que transferia a posse da capitania da Coroa para o donatário, e também pelo Foral, que estabelecia os direitos e deveres de todos.

De todas as capitanias, apenas duas tornaram-se prósperas: a de São Vicente, no sul, cujo donatário era Martim Afonso de Souzae adePernambuco, no Norte, pertencente a Duarte Coelho.

Pernambuco tornou-se mais próspero, devido à sua maior proximidade com a metrópole, além do fato de seu donatário ter feito grandes investimentos na fundação de vilas, na pacificação de índios e também pelo fato de possuir o solo de massapê, cujas características beneficiavam o cultivo.

A Capitania de São Vicente contou com a vila de 5. Vicente, já fundada anteriormente e que foi seguida de outras povoações como Santos, Santo André e São Paulo e contava, além da produção de cana-de-açúcar, com a criação de gado.

As outras capitanias não se desenvolveram por vários motivos como: grande distância da Europa, desinteresse e falta de recursos dos donatários, ataques constantes dos índios, ataques dos corsários franceses e hostilidade do próprio meio natural.

Os governos gerais

Com o fracasso da maioria das capitanias, o rei D. João III, para incentivaracontinuação da produção de cana-de-açúcar, sem acabar com as capitanias, criou o sistema de governos-gerais que completaria a administração auxiliando, gerenciando e fortalecendo as capitanias contra condições adversas.

O governador-geral contaria com auxiliares diretos como:

- Ouvidor-Mor: responsável pela Justiça (anistiar e castigar réus);

- Provedor-Mor: encarregado das finanças (arrecadação e gastos);

- Capitão-Mor: responsável pela defesa e vigilância do litoral.

Primeiro governador geral Tomé de Souza (1549 – 1553)

Fundou a primeira cidade do Brasil que foi Salvador, em 1549, e primeira capital da Colônia. Trouxe centenas de colonos que iniciaram e montaram muitas fazendas, desenvolvendo também a criação de gado.

Trouxe para o Brasil os jesuítas, liderados pelo padre Manuel daNóbrega, que iniciaram o trabalho de catequese, convertendo os índios ao catolicismo. Ainda durante seu governo foi criado o bispado, cujo titular foi D. Pero Fernandes Sardinha e incentivos à agricultura e à pecuária.

Segundo governador geral Duarte da Costa (1553- 1558)

Trouxe consigo mais colonos e jesuítas, entre eles, José de Anchieta, que por sua destacada atuação tornou- se conhecido como “O Apóstolo do Brasil”.

Anchieta e Nóbrega fundaram no planalto, após subir a Serra do Mar, o colégio de São Paulo, em 1554, pretendendo ensinar aos colonos e nativos, orações e hinos em português e na língua tupi.O Colégio de São Paulo deu início à atual cidade de São Paulo, hoje com mais de 10 milhões de habitantes.

Duarte da Costa enfrentou a invasão dos franceses ao Rio de Janeiro em 1555, tentando fundar no Brasil uma colônia que se chamariaFrança Antártica. Os invasores tentaram colocar os índios contra os portugueses e a seu favor, formando a Confederação dos Tamoios, que dificultou a expulsão dos invasores.

Terceiro governador geral Mem de Sá (1558 – 1572)

O novo governador fundou missões, que eram aldeias indígenas dirigidas por padres missionários onde, além de catequisarem os índios, ensinavam-lhes o convívio com os brancos, seus hábitos e os costumes. A ação de Nóbrega e Anchieta fez com que os índios tamoios desfizessem a aliança com os franceses.

Em 1565 o sobrinho do governador, Estácio de Sá, fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, de onde se organizavam os ataques aos franceses e em 1567, Estácio de Sá morreu ferido num desses combates, mas os franceses foram expulsos da região.

Com a morte de Mem de Sá em 1572, aCoroaportuguesa resolveu dividir a administração do Brasil em 2 partes, com 2 governadores: D. Luís de Brito ficou como Norte e a capital em Salvador e D. Antonio Salema, ficou com o governo do Sul, que tinha a capital no Rio de Janeiro. Em 1578 a administração voltou a ser unificada.

Domínio espanhol no Brasil  1580-1640

Em 1557 assumiu o reinado de Portugal umjovem rei, D. Sebastião, que reinou até 1578 quando morreu combatendo os mouros no norte da África na batalhade AlcácerQuibir. Ojovemrei D. Sebastião não deixou descendente e o seu parente mais próximo era um tio velho, que era cardeal e acabou morrendo sem deixar descendentes em 1580. Porém, o rei da Espanha, Felipe II era neto de D. Manuel, o Venturoso, e achava-se com direito ao trono de Portugal, por ser descendente da dinastia de Avis. Assim, Portugal com suas colônias na Ásia, na África e na América, passou para o domínio do rei da Espanha.

Esta união entre Portugal e Espanha chamou-se de União Ibérica e durou até 1640.
O domínio espanhol modificou a vida dos portugueses na metrópole e na sua colônia do Brasil, pois a Espanha estava acostumada a extrair grandes quantidades de ouro de suas colônias na América, pouca importância deu ao Brasil. Porém, no Brasil, as coisas eram vistas de outra forma.

No que diz respeito ao Tratado de Tordesilhas, este existia para dividir as terras dos portugueses e espanhóis na América; então, com aUnião Ibérica, ele não teria mais sentido e deixou de ser respeitado pelas entradas e bandeiras e principalmente permitindo a expansão do nosso território, no sentido das grandes minas de ouro e prata dos espanhóis na região onde hoje se situam a Bolívia e o Peru.

Como a Espanha estava envolvida em vários conflitos com outros países europeus, a União Ibérica atraiu contra o Brasil os inimigos da Espanha como a Inglaterra, a França e a Holanda, que organizaram diversas invasões contra o Brasil.

Na metrópole também a situação era péssima, principalmente no que diz respeito à economiaque estava arruinada. Organizou-se, então, emPortugal um movimento pela restauração da autonomia de Portugal, liderado pelo Duque de Bragança, que, com a vitória do movimento, foi coroado em 1640 como Rei de Portugal, recebendo o título de D. João IV, marcando o início da Dinastia de Bragança.
Em 1642, o Rei D. João IV criou o Conselho Ultramarino, um órgão que se encarregava da administração e exploração colonial.

Invasões estrangeiras

A União Ibérica somou territórios e multiplicou problemas, pois o Brasil e Portugal acabaram sendo alvos dos inimigos da Espanha.

Logo após a descoberta da América, os espanhóis apossaram-se das ricas minas de ouro e prata, além dos tesouros pertencentes às populações nativas, como os astecas, incas e maias. Os navios espanhóis chegavam da América abarrotados de riquezas, despertando a cobiça de outros países, assim como dos corsários e piratas.

Com a União Ibérica, o reino espanhol tornou-se muito maior e difícil de administrar. Assim, países como a França e a Holanda tentaramfundar, na costa do Brasil, suas colônias.

Invasões francesas

Os franceses frequentavam a costa brasileira desde o início do século XVI, explorando o pau-brasil e tentando estabelecer uma colônia em nossas terras, o que quase conseguiram durante o governo de Duarte da Costa em 1555, com aFrança Antártica no Rio de Janeiro.

Os franceses que invadiram o Brasil eramprotestantes e queriamtambémum local para professar livremente sua religião,já que eram perseguidos na Europa. Eram chefiados por Villegaignon.

Quando foram expulsos do Rio de Janeiro pelas forças do governador Mem de Sá, em 1567, não se afastaram e continuaram a visitar o litoral da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Pará.

Em 1612, tentaram organizar uma nova colônia no Brasil, desta vez, chamada França Equinocial na região do atual estado do Maranhão, que ainda não era ocupado pelos portugueses. Estaexpedição era comandada por Daniel De LaTouche e fundou o Forte de São Luís em homenagem ao rei da França, na épocaLuís XIII. Esse forte deu origem à atual capital do Maranhão.

Em 1615 os franceses foram expulsos do Maranhão por tropas comandadas por Jerônimo de Albuquerque e Alexandre Moura.

Tentaram invadir o Brasil novamente em 1710, mas, diante do insucesso, estabeleceram-se onde hoje é a Guiana Francesa.

Invasões holandesas

As terras onde atualmente estão os Países Baixos, englobavam a atual Holanda, Bélgica e parte do Norte da França. Esta região pertencia aos domínios do rei da Espanha e tinha grande desenvolvimento comercial.

Quando os habitantes destas terras desenvolveram um processo de independência, tomaram-se também inimigos do Brasil e Portugal.

Mas a empresa açucareira estabelecida no Brasil a partir de 1530 contava com a participação de capitais dos holandeses, antes aliados dos portugueses, na comercialização do açúcar no mercado europeu.

Quando o rei da Espanha, Felipe II, proibiu as relações comerciais entre o Brasil e os holandeses, prejudicou os lucros dos holandeses, o que fez com que eles invadissem o Nordestebrasileiro.

Os holandeses, para enfrentar o embargo que o Rei da Espanha criara, fundaram a Companhia das Índias Ocidentais (1621), que passaria acontrolar o comércio do açúcar e tentar apossar- se dos domínios ibéricos na América.

Em 1624, invadiram Salvador, aprisionando o governador Diogo Mendonça Furtado.

Já em 1625, a Espanha enviou reforço deumaesquadrade 50 navios e 120.000 homens. Essa expedição derrotou e expulsou os invasores holandeses dessa região. Voltaram a atacar a Bahia em 1627, sem sucesso.

Em 1630 invadiram a capitania de Pernambuco e depois de muitas lutas conseguiram permanecer na região. A Companhia das Índias Ocidentais nomeou o Conde Maurício de Nassau para administrar e organizar o “Brasil Holandês”. Durante o governo de Nassau foram reerguidos engenhos, atendidos desejos de latifundiários, estimulada a produção de açúcar, concedidos empréstimos a fazendeiros para ampliação de engenhos e compra de escravos.

Nassau modernizou Recife, pavimentou ruas, construiu pontes e canais, construiu um observatório astronômico, zoológico, palácios e teatros. Recife era chamada de “Cidade Maurícia” em sua homenagem.

Maurício de Nassau convocou artistas que retrataram a fauna, a flora e cenas da época, assim como cientistas e botânicos. Pintores como Franz Post e Albert Eckhout pintaram e registraram paisagens do Brasil holandês. Com essahabilidade administrativa, Nassau aumentou os rendimentos da Cia. das Índias Ocidentais com o açúcar brasileiro.

Porém, a Cia. das Índias Ocidentais considerava excessivos os gastos de Maurício de Nassau com os melhoramentos que fazia no Brasil e impôs a adoção de urna política mais rígida com os brasileiros. Nassau opôs-se e perdeu seu posto, retomando à Holanda em 1644.

Logo se iniciou um ambiente de revolta contra a Cia. das Índias e com os holandeses que cobravam com rigor os empréstimos e aumentaram muito os impostos. Iniciaram os holandeses o confisco das propriedades dos devedores, o que gerou um clima de revolta contra eles.

Em 1645, com o aumento do descontentamento contra os holandeses, deu-se a Insurreição Pernambucana que era um movimento dos luso-brasileiros contra os holandeses. Os líderes da Insurreição eram os senhores de engenho prejudicados. Com o auxílio de reforços enviados por Portugal, os holandeses foram derrotados na batalha do Monte das Tabocas e em 1648 na batalha de Guararapes.

Em 1654 foram derrotados definitivamente na batalha da Campina da Taborda.

Com a expulsão os holandeses foram desenvolver a plantação de cana nas Antilhas, passando a concorrer com o açúcar brasileiro, que entrou em decadência.

Expansão territorial

No início da colonização o povoamento do Brasil limitava-se à faixa do litoral. Raramente se chegava próximo ao limite do Meridiano de Tordesilhas.

A partir do momento em que surgiu o interesse em escravizar os índios e procurar ouro e pedras preciosas, a expansão para o interior começou a ser o objetivo de várias expedições que recebiam, na época, o nome de Bandeiras.

O local principal de onde partiam as bandeiras, às vezes formadas por milhares de homens que viajavam parao interior durante meses ou anos, era a capitania de São Vicente.

Deixavam acampamentos, que se tornaram vilas e cidades, por onde passavam e faziam seus pontos de parada.

Quando as bandeiras se destinavam ao aprisionamento de índios para venda como escravos, tinham como alvo principal as missões jesuíticas, onde os índios já estavam catequisados e mais aptos a lidar com o homem branco, pois esse trabalho era feitos pelos jesuítas.

Havia bandeira que se especializaram em procurar escravos fugitivos, mas a atividade da maioriadelas era a procura de ouro, prata e pedras preciosas.

Antes das bandeiras, no início da colonização, existiam as “entradas”, que eram expedições militares, geralmente a serviço do governo e que respeitavam os limites de Tordesilhas.

As bandeiras não respeitaram esse limite e ampliaram o nosso território, conquistando terras em busca do ouro, prata e outros metais.

Entre os bandeirantes mais conhecidos temos: Raposo Tavares, Fernão Dias Paes, Anhanguera Domingos Jorge Velho, Pascoal Moreira Cabral, Pedro Teixeira etc.

Assim, o descobrimento do Brasil refere-se à chegada, em 22 de abril de 1500, da frota comandada por Pedro Álvares Cabral.

12345 (1 votes, de: 3,00 out of 5)
Loading...Loading...

Faça um comentário!