O Processo de Exploração Africano e Suas Consequências

O processo de exploração do continente africano atingiu com intensidade o setor agrícola desde o século XIX. Muitos ricos comerciantes e grandes companhias apoderaram-se das terras férteis, expulsando e posteriormente explorando a população que ali vivia, O objetivo sempre foi implantar o sistema de plantation (latifúndios monocolores voltados para exportação), para atender às necessidades europeias.

Consequências Devastadoras

Gradualmente, a fome e a miséria tomaram conta do continente. A expropriação da terra e suas terríveis conseqüências, associadas à tragédia da escravidão, deixaram marcas que se estendem até nossos dias. A agricultura africana caracteriza-se ainda pelas formas mais rudimentares de produção. A pobreza dos países impede investimentos para implantar técnicas mais avançadas. Nas regiões de florestas, grandes áreas estão sendo devastadas para dar lugar a uma agricultura comercial do tipo plantation, comandada pelo café, amendoim e cacau, produtos que atendem aos interesses dos grandes grupos transnacionais que exploram a agroindústria.

Já na faixa mediterrânea, extremo norte da África, destacam-se os mesmos cultivos comerciais praticados no sul da Europa: frutas, hortaliças e oliveiras. Em boa parte do continente, o sofrimento da população cresce à medida que aumenta o processo de desertificação desencadeado pelo uso de técnicas impróprias pela agricultura de subsistência. Esse fenômeno trágico ocorreu especialmente na região do Sahel (faixa entre o Saara e a região das savanas): a seca e o consequente avanço do deserto foram tamanhos que provocaram crises agrícolas de proporções catastróficas, em que centenas de milhares de pessoas morreram de fome.

Novos Ventos

A partir da década de 1990, as chuvas aumentaram no Sahel. A porção norte, sobretudo na Mauritânia, Burkina Fasso, Níger, Chade, Sudão e Eritreia, está agora recoberta por vegetação em áreas antes consideradas estéreis. É uma espécie de frente verde que está atraindo de volta agricultores expulsos pela seca para as cidades e campos de refugiados. Outra mudança está ocorrendo também na forma como essa região passou a ser explorada, Programas patrocinados por entidades de ajuda humanitária e agências da Organização das Nações Unidas estão ensinando os agricultores africanos a utilizar o solo da região. A ideia é substituir as práticas predatórias do passado, como queimada, por métodos menos agressivos, como adubagem orgânica e construção de cacimbas para recolhimento de água.


Atualizado em: 20/08/2018 na categoria: Geografia Geral