Socialismo Científico – Objetivo da Doutrina

» » Socialismo Científico – Objetivo da Doutrina

Karl Marx e Friedrich Engels fundaram, em 1848, o socialismo científico, baseados na teoria socialista, pautada por uma forte análise crítica e científica do sistema capitalista. Tudo isso aconteceu enquanto a Europa era varrida por uma nova onda de revoluções que, pela primeira vez, contavam com a ativa participação política da classe operária, a “primavera dos povos”.

A passagem do socialismo utópico para o científico representou a passagem da infância para a maturidade política do proletariado industrial. Leo Huberman, analisando os escritos de Marx, fechou a diferença fundamental entre os dois tipos de socialismo:

“Marx praticamente nada escreveu sobre a sociedade do futuro. Tremendamente interessado na sociedade do passado, em como evoluiu, desenvolveu-se e decaiu, até se tornar a sociedade do presente. Estava tremendamente interessado na sociedade do presente porque desejava descobrir as forças que nela provocariam a modificação para a sociedade do futuro. Mas não gastou seu tempo nem se preocupou com as instituições econômicas do amanhã. Passou quase todo o seu tempo estudando as instituições econômicas de hoje. Desejava saber o que movimentava as rodas da sociedade capitalista onde vivia. O nome de seu maior trabalho foi “O capital – Análise crítica da produção capitalista”.

O socialismo científico foi o resultado da síntese, realizada por Marx e Engels, daquilo que de melhor produzira a cultura europeia no século XIX: a economia política inglesa, o socialismo utópico francês e a filosofia idealista alemã.

Socialismo Científico – Princípios Fundamentais

  • As transformações da sociedade como resultado das forças econômicas

Para Marx e Engels, a economia formava a base ou infra-estrutura da sociedade e sobre ela se erguia uma superestrutura política, jurídica, filosófica, religiosa, moral, etc. Assim, as transformações ocorridas na superestrutura eram determinadas, em última instância, pelas mudanças ocorridas nas forças econômicas da sociedade.

A superestrutura transformada interagiria, por sua vez, com a economia, condicionando as mudanças na infra-estrutura. O conjunto formado pela base e pela superestrutura formava o que Marx chamou de modo de produção, ou seja, a forma como a sociedade produz numa determinada época histórica os seus meios materiais de existência.

Após um período de formação e apogeu, o modo de produção existente entraria em declínio, em consequência, sobretudo, de contradições internas de ordem material ou econômica, e acabaria sendo substituído por um novo, que viera se formando lentamente no bojo do anterior. Esse novo modo de produção, por sua vez, já conteria em si os germes de sua própria destruição e de sua substituição futura.

Segundo Marx, até aquela época os modos de produção existentes tinham sido a comunidade primitiva, o asiático, o escravista, o feudal e o capitalista.

  • A luta de classes como força motriz imediata da história

A história da sociedade era a história da luta de classes. A divisão da sociedade em classes seria determinada por fatores de ordem econômica e, sobretudo, pela existência da propriedade privada. Os interesses econômicos antagônicos estavam na base do conflito entre as classes sociais, e essa luta, por sua vez, constituiria a força motriz das grandes transformações históricas.

Na Antiguidade, a luta se travara entre amos e escravos, assim como entre patrícios e plebeus. Na Idade Média, entre senhores e servos e também entre mestres-artesãos e jornaleiros. Nos Tempos Modernos, ocorrera o choque entre nobreza e burguesia. Finalmente, na época contemporânea, a luta entre burguesia e proletariado se transformara na característica fundamental da sociedade capitalista, colocando frente à frente os proprietários dos meios de produção e os detentores da força de trabalho.

A exploração da mais-valia como essência do capitalismo moderno, Segundo Marx, a causa determinante dessa luta era o fato de que o capitalismo moderno se baseava na exploração da força de trabalho dos operários pelos empresários capitalistas.

A exploração do proletariado pela burguesia industrial caracterizava-se pela apropriação, por parte dos capitalistas, da mais-valia. Esta pode ser esquematicamente definida como a diferença entre o volume da riqueza produzida pelo trabalhador e o montante do salário recebido pelo trabalho realizado.

Como o salário era sempre inferior à riqueza produzida, essa diferença, correspondente ao trabalho não pago, originava o lucro obtido pelos capitalistas. Assim, para Marx, o processo de acumulação de riquezas no capitalismo tinha por base a exploração do trabalho, sendo a crescente miséria dos trabalhadores à contrapartida da acumulação de riquezas pela burguesia.

  • O proletariado como agente de transformação da sociedade capitalista

Durante o Antigo Regime, a burguesia entrara em luta com a nobreza e, através da derrubada do absolutismo, eliminara os entraves feudais, criando condições para o desenvolvimento do capitalismo moderno. Para Marx, a Revolução Francesa foi o modelo clássico de revolução burguesa, já que foram os burgueses os agentes históricos de transformação do Antigo Regime.

Na sociedade capitalista, essa classe era agora, a um tempo, econômica e politicamente dominante. O proletariado, por sua vez, era a classe subalterna que deveria assumir papel de agente transformador desempenhado pela burguesia no Antigo Regime. A classe operária seria, em suma, o agente de uma revolução social que criaria condições para a transformação da sociedade capitalista e burguesa em um novo tipo de sociedade.

A libertação da classe trabalhadora seria, segundo Marx, uma obra dos próprios trabalhadores.

  • O advento do socialismo como fase de transição para o comunismo

A construção dessa nova sociedade far-se-ia, portanto, com a substituição do capitalismo pelo socialismo, através de uma revolução em que o proletariado conquistaria da burguesia o controle do Estado e implantaria uma nova forma de governo, que Marx chamou de ditadura do proletariado e que extinguiria a propriedade privada dos meios de produção.

O socialismo seria a fase intermediária de transição que caracterizaria a passagem do capitalismo para o comunismo, este último baseando-se na propriedade social dos meios de produção (fábricas, terras, bancos), no fim da exploração do homem pelo homem, na construção de uma sociedade sem classes e no desaparecimento gradual do Estado. O pensamento de Marx e Engels exerceria, a partir da Revolução Russa de 1917, uma profunda influência sobre as transformações históricas ocorridas no século XX.