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A Ascensão do Fascismo da Itália

Como foi a ascensão do fascismo da Itália? Terminada a Primeira Guerra Mundial, a Itália estava entre os vencedores. Mas o esforço de guerra foi pesado para os italianos, cuja economia, já frágil antes do conflito, sofreu perdas consideráveis durante seu desenrolar: estradas, ferrovias, fábricas, campos e cidades foram destruídos.

Os capitais e as matérias-primas eram escassos e faltava mão deobra, pois quase 2 milhões de italianos haviam morrido ou achavam-se mutilados.

A dívida pública era gigantesca, e a balança comercial era deficitária, devido ao crescimento das importações e à evasão de capital do país durante o conflito. Para cobrir os déficits, o governo italiano aumentou os impostos e emitiu moedas, o que depreciou seu valor, gerando elevada inflação e aumento dos preços.

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As indústrias contavam com subsídios, financiamentos e proteção do Estado para reverter a produção de guerra para uma economia de paz. Mas o governo, vítima dos problemas financeiros os deixou de amparar as indústrias, o que provocou a falência de inúmeros grandes grupos econômicos e aumentou o desemprego no país.

Na política exterior, a situação italiana também não era boa. Franceses e ingleses tratavam a Itália como potência de segunda categoria, o que ocasionou sua saída da Conferência de Paz, em 1919.

Os italianos entendiam que a vitória não lhes fora compensadora. Embora seu território tivesse aumentado, em prejuízo da Áustria, não haviam recebido todas as regiões que pretendiam ou que lhes fora prometido, desenvolvendo uma cultura extremamente nacionalista na jovem nação. Por outro lado, os ex-combatentes consideravam-se no dever de não permitir que a morte de seus companheiros de trincheiras tivesse sido em vão.

Ansiavam ocupar as terras que os vencedores negavam à Itália. Esses ex-combatentes também estavam indignados com o governo, que nada fizera para reintegrá-los à vida civil. Premidos pelo desemprego, pela inação, pela nostalgia e recordações do heroísmo dos companheiros mortos, aproximavam-se dos grupos nacionalistas, militaristas e fascistas que se formavam.

Mas foi entre os trabalhadores urbanos e rurais que as agitações inicialmente se desenvolveram. Com os salários deteriorados, resultado do aumento do custo de vida e do desemprego, incentivados pelos partidos socialistas e pelo Partido Popular, organizado pela Igreja, e influenciados pela Revolução Russa, desencadearam inúmeras greves e ocupações de grandes latifúndios.

Os grandes proprietários rurais, assustados, respondiam com a violência das milícias particulares formadas por ex-combatentes. O movimento grevista e insurrecional atingiu seu apogeu em 1920, com a ocupação das fábricas pelos “guardas vermelhos” e os comitês de fábrica, liderados pelos partidos socialistas e populares.

Atemorizados com o avanço desse movimento, o próprio Partido Socialista Italiano e os líderes sindicais assinaram um acordo com os patrões, arbitrado pelo governo. Segundo esse acordo, os operários teriam o controle das empresas nas quais trabalhavam. Porém, quando as fábricas foram evacuadas, o controle operário praticamente deixou de existir.

E assim, foi a ascensão do fascismo da Itália.

Atualizado em: 20/08/2018 na categoria: Primeira Guerra Mundial