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A formação do estado de Israel

Como se formou o estado de Israel? O Oriente Médio sempre foi uma região de conflitos no passado mais remoto, as lutas decorriam da disputa pela posse das terras férteis, opondo povos pastores e agricultores. Entre o final do século XIX e o início do século XX, as tensões tinham outro motivo: as riquezas do subsolo, particularmente o petróleo. Nesta última década, o componente novo tem sido a religião. Berço das maiores doutrinas monoteístas do mundo, o Oriente Médio encontrou na retomada das tradições a válvula de escape para a profunda crise institucional que atravessa. Em 1835, os judeus residentes na cidade de Praga (na atual República Tcheca) iniciaram um movimento de unificação de seu povo, que estava disperso pelo mundo desde o século I da Era Cristã.

Esse movimento, chamado sionista, preconizava a retomada da Palestina e a criação de um Estado judeu na região. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano, que dominava a Palestina, foi desmembrado e suas possessões divididas entre franceses e ingleses, ficando a Palestina sob mandato britânico. Em 1917, o ministro britânico das Relações Exteriores, Balfour, declarou que os judeus tinham direito a uma terra nacional na Palestina, incentivando sua imigração para lá. As comunidades árabes que habitavam a região começaram a protestar contra a intensa imigração dos judeus. Na década de 1930, esse problema se agravou. Com a ascensão do nazismo, que defendia a eliminação dos judeus na Alemanha, essa imigração cresceu, gerando inúmeros conflitos entre árabes e judeus.

O genocídio de milhões de judeus, nos campos de concentração nazistas, durante a Segunda Grande Guerra, comoveu a opinião pública mundial e, em 1947, a Organização das Nações Unidas propôs a divisão da Palestina entre as comunidades árabes e judaicas, o que foi recusado pelos árabes.

Em maio de 1948, o nacionalista judeu Ben Gordon proclamou a independência de Israel, gerando a guerra árabe-israelense de 1948 e 1949, que ocasionou o aumento do território israelense de 14 mil quilômetros quadrados para mais de 20 mil quilômetros quadrados e provocou uma nova série de conflitos entre Israel e os países árabes.

Todos os nacionalistas árabes eram hostis a Israel, seu tradicional inimigo, que diziam ser uma criação dos colonizadores ocidentais recebendo auxílio militar e político do Ocidente, Israel foi se afirmando cada vez mais. Essa ajuda tinha uma explicação: era preciso manter na região um Estado capaz de impedir a unificação dos árabes. Árabes e judeus reivindicam um antepassado comum, a figura bíblica de Abraão, e seu monoteísmo originou-se de uma mesma fonte. Mas seguiram caminhos opostos em relação ao Ocidente. Os judeus, dispersos pelo mundo, embora mantivessem suas tradições comunitárias, adquiriram usos, costumes, técnicas e ciências do mundo ocidental.

Os árabes, por sua vez, permaneceram em suas terras, dominados ou não pelos ocidentais, e mantiveram seus valores e sua aversão ao Ocidente, o que contribuiu para um distanciamento maior entre árabes e judeus. Também uma preocupação religiosa extremamente nacionalista contribuiu para afastá-los: ambos se consideravam povos eleitos de Deus. Diante de tudo isso, formou-se, então, o estado de Israel.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral