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Processo de Urbanização dos Países Desenvolvidos e Subdesenvolvidos

Entendendo o Processo de Urbanização dos Países Desenvolvidos – Consequências da Revolução Industrial

Com o advento da Revolução Industrial nos países ditos desenvolvidos, as cidades ganharam importância na realidade econômica das nações. Ao atrair a população do campo para as cidades, o processo industrial visava apenas suprir a sua necessidade de mão-de-obra. Não pretendia nem conseguia melhorar a qualidade de vida das massas operárias que estavam se formando naquele período. Tratava-se de um modelo urbano caótico. Desprovidos de saneamento, os bairros operários eram formados por aglomerados de cortiços separados por vielas, nas quais o esgoto corria a céu aberto e qualquer doença contagiosa rapidamente transformava-se em epidemia nessas cidades. Gradativamente, os movimentos dos trabalhadores ganharam força, e eles passaram a reivindicar, com relativo sucesso, melhorias para os bairros operários. É preciso lembrar, também, que muitas cidades europeias foram reconstruídas depois de grandes conflitos, como as guerras mundiais, permitindo corrigir os erros da urbanização dos séculos XVIII e XIX.

Com a melhoria da qualidade de vida na Europa depois da II Guerra Mundial, as populações passaram a participar mais das decisões dos rumos das cidades, ou seja, passaram a exercer sua cidadania. Essa participação dá origem a leis rígidas, que criam padrões de urbanização preocupados com a qualidade de vida na cidade.

Na Europa, atualmente, as questões ambientais urbanas são extremamente importantes. Essa longa experiência criou um padrão urbanístico diferenciado para o continente europeu. Embora a Europa seja um dos continentes mais urbanizados, como resultado direto de seu passado, possui cidades menores, em números absolutos, que as outras regiões do planeta. A maior parte da população européia vive em cidades médias e pequenas. São mais comuns que em outros continentes as aglomerações com menos de 500 mil habitantes, que é o padrão de urbanização do continente.

Processo de Urbanização dos Países Subdesenvolvidos

Nos países subdesenvolvidos, a urbanização tardia resulta de outros fatores, geralmente ligados aos problemas estruturais desses países. As cidades dos países mais pobres cresceram de forma mais rápida e menos planejada que as dos países ricos. Isso se deve, em parte, à falência da agricultura familiar e de subsistência, atividades que não conseguem competir com os latifúndios comerciais, voltadas para atender o mercado externo. Essas grandes propriedades, graças ao seu poder financeiro, empregam técnicas que são inacessíveis ao pequeno agricultor, que se vale basicamente da mão-de-obra familiar. Quando já não encontram alternativas de trabalho na zona rural, esses pequenos agricultores deixam sua terra e partem, desencadeando um processo migratório denominado êxodo rural. Inicialmente são os jovens que buscam uma alternativa de trabalho no meio urbano, mas logo são seguidos pelos pequenos proprietários, chefes de família, que vendem ou abandonam suas terras.

Nas regiões mais pobres, como no Brasil, o êxodo foi muito rápido e evidente nas décadas de 1950 e 1960. Naquela época, imensas levas de nordestinos flagelados pela miséria procuraram ao mesmo tempo os centros polarizadores da economia. Sem ter como abrigar tamanha massa de pessoas, as grandes cidades começaram a expandir-se em todas as direções, criando inúmeros bairros periféricos, verdadeiros dormitórios em que as pessoas só passam a noite, dedicando o dia todo à busca da sobrevivência nas partes mais centrais dessas cidades. Outra realidade não pode ser esquecida: nesses países e nessa época as taxas de natalidade eram extremamente altas, o que também incrementou o ritmo de crescimento urbano. Em algumas regiões da Ásia e da África as cidades continuam crescendo em ritmo frenético. Como o problema avoluma-se incessantemente, torna-se muito difícil encontrar uma solução a curto prazo.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: Geografia Geral