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Reforma Religiosa

A reforma religiosa ou reforma protestante foi um movimento de manifestação contra a Igreja Católica, no século XVI, em virtude de algumas práticas irregulares que estavam sendo cometidas por algumas camadas da igreja. Entre elas, a venda de cargos eclesiásticos e de indulgências. Junto a isso, a influência dos reis europeus criou um cenário fértil para que o movimento reformista cristão acontecesse.

No fim da Idade Média, a figura do papa já estava em descrédito. Os príncipes e monarcas aproveitaram o nacionalismo que vinha surgindo para colocar a Igreja em subordinação e, assim, maximizar os seus poderes e influência. O grande patrimônio da Igreja, na Alemanha e na França, também era cobiçado.

Outro ponto a se considerar foi o aperfeiçoamento da imprensa, de Gutenberg, que possibilitou a tradução da bíblia para outras línguas, como o alemão.

Reforma Luterana

O movimento protestante foi encabeçado inicialmente pelo antigo frade católico e teólogo alemão Martinho Lutero, que buscava a simplicidade para o mundo, inspirada pelos primeiros apóstolos.

Ao analisar as sagradas escrituras, Lutero propôs alguns pontos de mudança na doutrina da Igreja Católica, não sendo bem aceito pelo papa da época. Entre suas principais contestações, destacam-se:

  • Infalibilidade do papa: segundo Lutero, apenas às sagradas escrituras poderia se afirmar que existiria revelação divina.
  • Estrutura da Igreja: a divisão católica entre clérigos e leigos também não era vista com bons olhos. Para ele, qualquer batizado poderia ser considerado sacerdote e santo.
  • Venda das indulgências: por não concordar que o perdão divino pudesse ser comprado, Lutero até formulou 95 teses sobre o poder e eficácia das indulgências.

Por conta de suas contestações, Lutero foi excomungado da Igreja Romana pelo Papa Leão X, em 1521, após queimar a bula pontifícia que exigia retratação por suas afirmações, sendo acusado de heresia.

Como protegia as estruturas feudais, a Igreja Luterana ficou conhecida como a religião dos nobres. Quem seguiu seus ensinamentos ficou conhecido como luterano.

Reforma calvinista

João Calvino foi um teólogo cristão francês que encabeçou o protestantismo em seu país, expandindo sua atuação para Holanda, Inglaterra e Escócia. Sua doutrina é logo aceita pela burguesia, que queria demover o católico Duque de Savoia.

Sua igreja divergia da de Lutero em alguns aspectos, como a questão da salvação. Para ele, Deus já predestinaria os humanos para a vida eterna ou condenação, sendo a fé insuficiente para mudar esse cenário.

A questão econômica também é justificada em sua Igreja, sendo graça divina, o que era mais um motivo para ganhar apoio dos comerciantes locais.

Escreveu as Institutas da Religião Cristã, que são referência para as doutrinas adotadas pelas igrejas reformadas.

Reforma Anglicana

Em 1534, Henrique VIII rompe com a Igreja Católica, por meio do Ato de Supremacia, que o torna chefe da Igreja em seu país. Entre suas motivações, está a confiscação de terras da igreja, a anulação do casamento com Catarina de Aragão, para se casar com Ana Bolena, na intenção de gerar de um sucessor homem, além das pressões externas na sociedade inglesa, que se colocava contra os excessos da igreja romana.

Na doutrina da igreja, seus principais questionamentos foram o culto aos santos e às relíquias e a autoridade papal (que foi substituída pela do monarca). Além disso, defendia a popularização da leitura bíblica.

No reinado de sua filha, Elizabeth I, o anglicanismo ganha força. A monarca renovou o direito de soberania real sobre a Igreja e ainda estabeleceu os preceitos da doutrina e do culto anglicano, por meio da Lei dos 39 Artigos, em 1563.

Após as manifestações religiosas, com o Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja Católica realizou o processo de contrarreforma, fazendo modificações internas e externas em sua atuação.

Atualizado em: 05/12/2018 na categoria: História Geral