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Restauração dos Stuart – Revolução Gloriosa

Restauração dos Stuart

De 1653 a 1658, estabeleceu-se a ditadura puritana e Cromwell governou como ditador militar até a morte. Depois disso, o exército não aceitou o governo de seu filho Richard, facilmente manipulado pelos políticos e destituído. O exército fragmentou-se com os generais lutando por seus próprios interesses, provocando um clima de anarquia militar. Nesse clima de incertezas, as seitas religiosas radicais mobilizaram-se novamente, o que assustou as classes proprietárias. O novo Parlamento eleito, composto de realistas e presbiterianos, estabeleceu contatos com os exilados da Família Stuart e pensou em restabelecer a monarquia para resgatar o controle da situação. Por outro lado, os parlamentares temiam que os Stuart voltassem ao poder, recuperassem suas propriedades e perseguissem todos os revolucionários. Carlos II, filho do rei executado, comprometeu-se a respeitar as propriedades existentes, manter a tolerância religiosa e anistiar todos os revolucionários, exceto os diretamente envolvidos na execução do rei. Com esse compromisso, a monarquia foi restaurada.

Carlos II tinha consciência de que era um rei sem coroa, imposto unicamente pela vontade dos comerciantes e proprietários rurais que dominavam o Parlamento. Sua única chance de conseguir o poder efetivo era explorar fundo os conflitos entre as classes de proprietários. E foi o que ele procurou fazer. A classe proprietária estava dividida entre os antigos realistas, que haviam perdido suas propriedades, e os novos realistas, os presbiterianos, que haviam adquirido essas propriedades. Era preciso favorecer os antigos realistas sem prejudicar os novos. Os primeiros receberam suas terras de volta, mas não todos os seus bens, principalmente aqueles que foram comprados pelos presbiterianos. Aqueles que pactuaram com o assassinato do rei foram executados de forma cruel e Cromwell foi desenterrado para ser enforcado. Os puritanos foram expulsos dos cargos religiosos e estatais. Pior do que isso foi uma lei, de 1665, que proibia que eles se reorganizassem, impedindo todo culto público que não fosse o da Igreja Anglicana, que novamente se tomou a Igreja oficial.

Os puritanos e outras seitas independentes conseguiram sobreviver como organizações semi-secretas, mas o mesmo não ocorreu com os presbiterianos. Os membros mais ricos dessa religião ingressaram na Igreja Anglicana, enquanto outros se mantiveram apáticos em matéria religiosa e uma pequena minoria tomou-se puritana. Carlos II recebia secretamente ajuda financeira do rei francês Luís XIV, monarca católico, símbolo do absolutismo. Soberano inglês havia assinado um acordo secreto com Luís XIV, prometendo apoiar a França em sua luta contra a Holanda protestante e a restaurar o catolicismo na Inglaterra.

Mas o Parlamento não aprovava essa guerra e, por conseguinte, não votava os créditos de guerra, levando o governo a tomar empréstimos  que não conseguia saldar  no mercado financeiro. Internamente, Carlos II eliminou todas as restrições que pesavam contra os católicos, o que assustou os protestantes. Estes temeram a restauração do catolicismo como religião oficial inglesa, pois isso significaria devolver os bens que tinham confiscado. Nessa época, começaram a formar-se os dois grandes partidos políticos ingleses, que iriam alternar-se no poder nos séculos seguintes: o Terei (conservador) e o Whig (liberal). O primeiro representava os grandes proprietários rurais, reinvestidos de importância política com a restauração da monarquia. Apoiando-o, estavam a Igreja Anglicana e as massas rurais do interior. O Partido Whig era uma coligação de comerciantes, financistas e das mais poderosas famílias da aristocracia inglesa, que também lucravam com o comércio e as finanças. A ala mais radical desse partido, predominantemente puritana e com sentimentos republicanos, era a classe média inferior urbana. Esse partido representava a oposição à Coroa, embora seu setor dominante fosse partidário da monarquia constitucional.

Os Whigs, que dominavam o Parlamento, queriam impedir que Carlos II fosse sucedido pelo irmão Jaime, considerado ainda mais absolutista e católico. O grupo dominante desse partido queria substituir o rei pela irmã Maria e seu marido, Guilherme de Orange, príncipe holandês. Carlos II, apoiado pelo destroçado Partido Terei, já era um simulacro de rei, com o tesouro real falido, sem crédito na praça e com o exército rebelando-se, devido ao atraso dos soldos. Mas como era hábil, com a ajuda do tesouro francês pagou os soldados. Ele ainda tinha algum apoio da grande aristocracia Terei, da Igreja Anglicana e dos meios militares, quando, inesperadamente, dissolveu o Parlamento dominado pelos Whigs. Estes perderam os cargos governamentais e passaram a ser perseguidos. Os Whigs recolheram-se ao silêncio e os partidários do rei passaram a dominar tudo, inclusive Londres, reduto dos liberais e dos puritanos. O Partido Whig parecia destruído, mas a classe dos comerciantes que o apoiava estava cada vez mais rica, por causa do desenvolvimento das manufaturas e do comércio inglês.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral