Análise das cantigas de amigo do trovadorismo

A compreensão de todos os dados, conceitos e características relacionadas com as cantigas de amigo do trovadorismo devem ser usadas para conseguir fazer uma boa análise das poesias desta época como iremos mostrar a seguir com o exemplo de uma destas cantigas feitas pelo trovador D. Dinis:

“Ai flores, ai flores do verde pino,

se sabedes novas do meu amigo!

ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,

se sabedes novas do meu amado!

ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,

aquel que mentiu do que pôs comigo!

ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,

aquel que mentiu do que mi há jurado!

ai Deus, e u é?”

(…)

Neste tipo de cantiga de amigo do trovadorismo é possível perceber a presença do eu-lírico feminino que se lamenta com a natureza pelo amado que partiu e sobre o qual ela busca notícias.

Conta com muitos paralelismos e rimas bem como uma forte musicalidade típica da tradição oral ibérica além do apelo para que Deus a ajude neste sofrimento amoroso e na possibilidade de que o homem que ama tenha mentido e a enganado.

Exemplos de cantigas de amigo do trovadorismo

Outras cantigas de amigo do trovadorismo são:

Ondas do mar de Vigo
Se vires meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Ondas do mar revolto,
Se vires o meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu namorado,
Aquele por quem eu suspiro!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu namorado
Por quem tenho grande temor!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Conclusão

Portanto, é possível concluir que as cantigas de amigo do trovadorismo consistem em uma das primeiras formas de manifestação da literatura portuguesa consistindo em poesias as quais contam as desventuras amorosas do eu-lírico feminino o qual conta para amigas ou até para a própria natureza os dessabores de um amor errado.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: Literatura