Consequências da Expansão Marítima

Consequências da Expansão Marítima

Descoberto o caminho marítimo para as Índias, houve um declínio das tradicionais rotas comerciais europeias. O Mediterrâneo, nos fins do século XVI, deixou de ser a principal rota comercial, pois o centro econômico da Europa foi deslocado para o Atlântico. Os portos de Lisboa, em Portugal, Sevilha, na Espanha, e Roterdã, na Holanda, tornaram-se os mais importantes da Europa, recebendo as riquezas que vinham da América e do Oriente e para lá embarcando manufaturados e habitantes europeus. O Mediterrâneo continuava sendo a rota comercial com a Europa oriental, a Ásia ocidental e o norte da África. As cidades italianas ainda mantinham seu esplendor. Continuavam grandes centros manufatureiros e financeiros. Seus burgueses adaptaram-se aos novos tempos e ainda lucravam com o comércio oriental e das Américas.

Mercado Mundial

Banqueiros, armadores e comerciantes das cidades italianas estavam presentes nos portos do Atlântico, financiando e participando das grandes expedições marítimas e comerciais. Metade da Itália pertencia a Filipe II, e, nessa condição, uma parcela da burguesia italiana participava do comércio espanhol. Alguns Estados italianos, como Veneza, os domínios do papa e o Pie monte, apesar de independentes da Espanha, eram influenciados por ela e colocavam-se em seu campo político e militar, participando também de seu comércio. Pela primeira vez na história, surgiu um mercado mundial, interligando todas as regiões da Terra. Havia um comércio intra-europeu, ligando o norte, o sul e o centro da Europa, que trocavam produtos de que careciam, e um comércio extra-europeu. A Europa enviava para os outros continentes as manufaturas e deles recebia produtos agrícolas tropicais e matérias-primas. O Oriente fornecia as especiarias e os artigos de luxo.

A África sofria uma sangria demográfica, exportando escravos para a América, em troca de manufaturados europeus ou do fumo e da aguardente americanos. A América fornecia à Europa produtos agrícolas tropicais e metais preciosos. Todo esse comércio dinâmico enriquecia a burguesia europeia. Esse comércio mundial, aliado às necessidades das monarquias nacionais que estavam fortalecendo-se, contribuiu para o aperfeiçoamento do sistema financeiro. Piratas, corsários, dificuldade de transporte e guerras entre as nações eram entraves ao comércio. Era preciso aperfeiçoar os meios de troca. Foi assim que surgiram novos instrumentos de crédito, como notas promissórias, cheques e letras de câmbio. O capital gerado pelo comércio e pelas manufaturas permitia que os reis recebessem mais impostos e alcançassem bons lucros, participando diretamente como investidores nessas atividades.

Com dinheiro, o Estado podia contratar uma eficiente equipe de funcionários públicos, obedientes ao rei, para controlar toda a administração do país. O dinheiro também era necessário para desenvolver a manufatura de armamentos, pagar soldados e marinheiros, equipar exércitos e marinhas. O desenvolvimento do comércio e das manufaturas enriquecia os burgueses, que compravam cargos públicos e títulos nobiliárquicos, gerando mais dinheiro para o tesouro real; o desenvolvimento do sistema financeiro também contribuiu para o fortalecimento do poder real, pois, em épocas de guerras ou de calamidades, os soberanos podiam recorrer aos banqueiros.

Banqueiros, armadores e comerciantes das cidades italianas estavam presentes nos portos do Atlântico, financiando e participando das grandes expedições marítimas e comerciais. Metade da Itália pertencia a Filipe II, e, nessa condição, uma parcela da burguesia italiana participava do comércio espanhol. Alguns Estados italianos, como Veneza, os domínios do papa e o Pie monte, apesar de independentes da Espanha, eram influenciados por ela e colocavam-se em seu campo político e militar, participando também de seu comércio. Pela primeira vez na história, surgiu um mercado mundial, interligando todas as regiões da Terra. Havia um comércio intra-europeu, ligando o norte, o sul e o centro da Europa, que trocavam produtos de que careciam, e um comércio extra-europeu. A Europa enviava para os outros continentes as manufaturas e deles recebia produtos agrícolas tropicais e matérias-primas. O Oriente fornecia as especiarias e os artigos de luxo. A África sofria uma sangria demográfica. exportando escravos para a América, em troca de manufaturados europeus ou do fumo e da aguardente americanos.

A América fornecia à Europa produtos agrícolas tropicais e metais preciosos. Todo esse comércio dinâmico enriquecia a burguesia européia. Esse comércio mundial, aliado às necessidades das monarquias nacionais que estavam fortalecendo-se, contribuiu para o aperfeiçoamento do sistema financeiro. Piratas, corsários, dificuldade de transporte e guerras entre as nações eram entraves ao comércio. Era preciso aperfeiçoar os meios de troca. Foi assim que surgiram novos instrumentos de crédito, como notas promissórias, cheques e letras de câmbio. O capital gerado pelo comércio e pelas manufaturas permitia que os reis recebessem mais impostos e alcançassem bons lucros, participando diretamente como investidores nessas atividades.

Com dinheiro, o Estado podia contratar uma eficiente equipe de funcionários públicos, obedientes ao rei, para controlar toda a administração do país. O dinheiro também era necessário para desenvolver a manufatura de armamentos, pagar soldados e marinheiros, equipar exércitos e marinhas. O desenvolvimento do comércio e das manufaturas enriquecia os burgueses, que compravam cargos públicos e títulos nobiliárquicos, gerando mais dinheiro para o tesouro real; o desenvolvimento do sistema financeiro também contribuiu para o fortalecimento do poder real, pois, em épocas de guerras ou de calamidades, os soberanos podiam recorrer aos banqueiros.

Verdadeira Colonização Europeia

Se entendermos colonização como ocupação, fixação da população em um determinado local ou região, podemos dizer que, na Idade Moderna, os europeus não colonizaram a Ásia e a África, pois não houve grandes deslocamentos populacionais para esses continentes. Os comerciantes e navegadores limitaram-se a construir feitorias no litoral dessas regiões, onde produtos europeus eram trocados por escravos, especiarias e artigos de luxo com os nativos. A verdadeira colonização europeia, na Idade Moderna, com deslocamento de grandes levas populacionais, criação de um sistema administrativo e implantação de novas culturas, ocorreu no continente americano. O aproveitamento sistemático dos recursos americanos, em benefício das metrópoles, permitiu a fixação de populações europeias na região, o que contribuiu para a incorporação dos modelos sociais, culturais e religiosos europeus no Novo Mundo. Mas se os europeus introduziram seus valores na América, também foram obrigados a adaptar-se às condições que encontraram e aos padrões culturais das civilizações indígenas existentes.

A busca de colônias constituía um dos principais objetivos dos países europeus. As colônias eram possessões de segunda ordem, submetidas a um regime econômico particular  o Estatuto ou Pacto ou Sistema Colonial  que prevalecia sobre quaisquer outras considerações. Dessa maneira, a colônia só podia comercializar com a metrópole, fornecer-lhe o que necessitasse e dela comprar os produtos manufaturados. Qualquer negócio fora dessa norma era considerado contrabando, sendo reprimido de acordo com a lei. As colônias eram vistas como complementos da economia metropolitana, produzindo o que esta não produzia. Sua função era enriquecer a metrópole, comprando os manufaturados a preços mais altos e vendendo seus produtos a preços mais baixos.

A Economia das Colônias

A economia das colônias era organizada com o objetivo de permitir a acumulação de capitais nas metrópoles, enriquecendo as burguesias europeias e fortalecendo o Estado nacional. A administração colonial estava centralizada na metrópole e até as formas de exploração eram organizadas de acordo com as necessidades metropolitanas. O tipo de colônia predominante na América foram as colônias de exploração. Típicas das áreas tropicais, elas produziam basicamente para o mercado externo, utilizando a grande propriedade monocultora e o trabalho compulsório. Essa produção, voltada para a exportação, coexistia com a produção de subsistência, que era secundária, e destinava-se ao abastecimento local.

Declínio de Portugal

No século XVI, Portugal detinha o domínio marítimo, apesar de seu comércio ser financiado por banqueiros italianos e dos Países Baixos, aos quais cabia a maior parte dos lucros. O país logo entrou em decadência, porque o pouco capital que ficava em Portugal era gasto de forma improdutiva em guerras religiosas, castelos e igrejas, e não nas atividades manufatureiras e mercantis. Com a morte do rei D. Sebastião, em luta contra os muçulmanos na África, terminou a Dinastia de Avis e Portugal passou para o domínio espanhol (1580-1640). A Espanha obteve e manteve até 1585 o domínio da navegação mundial. Nesse ano, sua Invencível Armada foi derrotada pelos ingleses. A hegemonia marítima passou, então, a ser exercida pela Holanda, a grande potência europeia do século XVII. Em 1651, com o objetivo de desenvolver a marinha inglesa, o ditador Oliver Cromwell assinou os Atos de Navegação, estabelecendo, entre outras coisas, que o comércio entre a Inglaterra e suas colônias deveria ser feito exclusivamente por navios ingleses. Sentindo-se prejudicada, a Holanda, principal transportadora, declarou guerra à Inglaterra e foi derrotada. A partir daí, a Inglaterra praticamente monopolizou o comércio marítimo mundial, acumulando capitais que, mais tarde, aplicou em sua Revolução Industrial.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral