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Dois Tipos de Colônias

A costa atlântica dos Estados Unidos apresenta uma série de variações climáticas: nas colônias do norte e do centro, predomina o clima temperado, e nas colônias do sul, o subtropical. Entre outros motivos, essa variação climática deu origem a dois tipos de colônias: no norte e no centro, as colônias de povoamento e, no sul, as colônias de exploração.

O clima do norte e do centro, semelhante ao inglês, só permitia a produção dos mesmos produtos agrícolas europeus. Assim, a exportação agrícola tomava-se quase impossível, inibindo o surgimento da grande propriedade exportadora. Também não foram encontrados metais preciosos, o que contribuiu para desmotivar a Inglaterra na colonização oficial da região.

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Essas regiões foram colonizadas pelos puritanos e outros dissidentes religiosos, que aí fundaram as colônias de povoamento. A base econômica dessas colônias eram as pequenas e médias propriedades policulturas, onde os colonos trabalhavam auxiliados pelos familiares, às vezes por alguns servos brancos e, mais raramente, por escravos negros. Havia também uma indústria artesanal suficiente para o mercado interno, montada com a imigração de hábeis artesãos. Os colonos do norte e do centro também desenvolveram uma poderosa marinha mercante.

Veleiros, pesqueiros e cargueiros singravam todos os rios navegáveis da América do Norte e todos os oceanos. No início do século XVIII, essa frota só era superada pela inglesa.

O desenvolvimento de uma marinha mercante permitiu que as colônias do norte e do centro entrassem no circuito econômico mundial. Transportavam o trigo “americano” aos portos da França, participavam dos contrabandos na América ibérica, compravam rum e açúcar nas Antilhas e os revendiam no sul dos Estados Unidos de hoje, buscavam escravos negros na África e os distribuíam pela América, e compravam chá na Índia para abastecer as colônias do sul.

Esse comércio triangular, de grande raio de ação, permitiu uma grande acumulação de capital, o desenvolvimento manufatureiro e o surgimento de uma poderosa burguesia nas colônias do norte e do centro. Os colonos dessas regiões sempre viveram a serviço de si próprios e do desenvolvimento de sua nova terra.

A economia agrícola, as manufaturas, a vocação marítima e o comércio triangular das colônias de povoamento nunca serviram para em esquecer a metrópole, e sim elas mesmas, tornando-se um caso único em toda a América colonial.

Nas colônias do sul, quase como uma extensão da economia das Antilhas e da Flórida, colocou- se em funcionamento a economia de plantation, isto é, da grande propriedade monocultora, quase autossuficiente, baseada no trabalho escravo e voltada para o mercado estilo.

As colônias do sul produziam tabaco, algodão e arroz, de forma rotineira e predatória, utilizando uma tecnologia simples, que esgotava a fertilidade da terra, e abasteciam a Inglaterra e as colônias do centro e do norte. Da mesma forma que as colônias da América ibérica, eram chamadas colônias de exploração e tinham suas riquezas acumuladas por uma burguesia metropolitana. E estas são os dois tipos de colônias.


Atualizado em: 20/08/2018 na categoria: História Geral