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Fatores da Crise de 1929 nos Estados Unidos

Fatores da Crise de 1929 nos Estados Unidos

Os Estados Unidos viviam num sistema econômico capitalista-monopolista. Nesse sistema, um pequeno número de grandes empresas domina o mercado de determinados produtos. Onde a livre-concorrência não existe, a tendência é o aumento cada vez maior dos lucros. Os capitalistas reinvestem o lucro excedente em novos maquinários, gerando um aumento da capacidade produtiva e nova elevação dos lucros, que são reinvestidos, e assim por diante. Para que esse fluxo se mantenha constante, as mercadorias precisam ser consumidas. Há, porém, um entrave nesse processo: a produção cresce mais do que a capacidade de consumo da população, cujos salários nunca acompanham os preços das mercadorias.

Política Salarial

O rebaixamento salarial, por sua vez, está diretamente vinculado ao sistema de produção capitalista, visto que, em qualquer país que o siga, existe uma reserva de mão-de-obra que contribui para a desvalorização do trabalho. Aproveitando-se dessa reserva, os capitalistas demitem seus funcionários e contratam outros por salários mais baixos ou arrocham os salários dos já empregados, ameaçando-os com demissões. Dessa forma, seus lucros aumentam. A aplicação desse tipo de política salarial ocasiona, em determinado momento, a redução da capacidade de consumo da população.

Exportação – Uma Alternativa

A alternativa dos grandes monopólios é aplicar o capital excedente no exterior ou exportar o excesso de produção. Era essa a situação americana no final da década de 1920. A produção havia aumentado e os Estados Unidos eram a maior potência econômica mundial. Porém, a maior parte da renda nacional estava concentrada nas mãos de uma minoria da população e apenas uma parte influia para as mãos dos trabalhadores e dos pequenos proprietários, impedindo o desenvolvimento do mercado consumidor interno. A exportação para a Europa tornava-se difícil, porque os países europeus estavam recuperando sua capacidade produtiva e sem condições de importar os produtos americanos. A superprodução começou a rachar a economia americana: enquanto os preços dos produtos agrícolas caíam, muitos fazendeiros passaram a dispensar seus empregados e outros, hipotecados com os bancos, perderam suas terras. Tanto os desempregados do campo como os fazendeiros deixaram de comprar produtos industrializados. Assim, a crise chegou à indústria, que começou a demitir os operários, atingindo depois o comércio e o sistema financeiro.

A Quebra da Bolsa de Valores

A grande paixão americana na década de 1920 foi o jogo na Bolsa de Valores, onde as cotações das ações eram manipuladas por grandes especuladores, aliados muitas vezes às autoridades governamentais. A especulação financeira campeava à solta, envolvendo renomados financistas, funcionários graduados e até o presidente da República. A Bolsa de Valores de Nova York, a maior do mundo, movimentava milhões de dólares, investidos diariamente em ações.

Durante anos, os preços das ações não pararam de subir, criando a ilusão de riqueza fácil para uma enorme quantidade de pessoas. Mas, na manhã do dia 24 de outubro de 1929, a chamada “Quinta-Feira Negra”, ocorreu o “crack” (a quebra) da Bolsa de Valores de Nova York, sepultando todas essas ilusões. Nessa manhã, a queda vertiginosa dos preços das ações, que já havia alguns dias vinham caindo, gerou um pânico irrefreável. Todos queriam vender seus títulos e ações antes que os preços caíssem ainda mais. Cerca de 13 milhões de títulos foram lançados no mercado. Os principais banqueiros de Nova York formaram um consórcio e compraram as ações, tentando sustentar o mercado. Na sexta- feira e no sábado, a confiança pareceu renascer.

As vendas acalmaram e as cotações subiram um pouco. Mas, na segunda-feira, 28 de outubro, a oferta de ações aumentou, o que fez as cotações baixarem violentamente. No dia 29, mais de 16 milhões de títulos foram despejados no mercado por vendedores desesperados. Milhões de dólares em títulos foram reduzidos a zero e jogados no lixo.

O Crack da Bolsa de Valores de Nova York por si só já teve importância, pois destruiu o patrimônio de milhões de pessoas; porém, foi mais importante por revelar as atividades, o comportamento e as trapaças de toda uma classe de financistas, banqueiros e corretores que haviam alcançado a liderança da sociedade americana. Demonstrou também a dolorosa fragilidade da organização financeiro-industrial americana, apesar do orgulho de ser a maior potência do mundo. Iniciava-se a grande crise do capitalismo americano, que, mais tarde, afetaria o capitalismo mundial.

Consequências da Quebra da Bolsa de Valores

Nos anos que se seguiram ao crack, o valor da produção dos Estados Unidos caiu de 104 bilhões para 58 bilhões de dólares; o número de desempregados saltou de 400 mil para 12 milhões de pessoas. O rico e feliz povo americano estava na miséria. Ocorreram suicídios em quantidade considerável, porque muitas pessoas enlouqueceram ao perder o patrimônio de toda uma vida. Os sonhos da prosperidade interminável e da sociedade da abundância foram para o lixo junto com os títulos de ações, que perderam qualquer, valor. Milhões de desempregados vagavam pelo país. Todos os países capitalistas uns mais, outros menos  sofreram os efeitos da crise de 1929. Os Estados Unidos, investidores e credores dos países europeus, retiraram seu capital da Europa, provocando a quebra de bancos e de indústrias e o aumento do desemprego em todo o continente europeu, que se recuperava da Primeira Guerra. Os países periféricos da América Latina e as colônias da Ásia e da África também foram arrastados pela crise. Como eram, basicamente, produtores e exportadores de matérias-primas e de produtos alimentícios, sentiram os efeitos da crise, visto que ocorreu um declínio na procura e nos preços desses produtos.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral