Genocídio dos Pré-colombianos

Antes de saber do genocídio dos pré-colombianos, saiba que os povos pré-colombianos, desde os canibais até os dos grandes impérios, foram praticamente dizimados. Dos 80 milhões de nativos estimados no momento da chegada dos europeus, restaram menos de 10 milhões de habitantes um século depois.

Essa destruição não foi realizada apenas pelos espanhóis, embora esses se sobressaíssem, porque ocuparam um território muito maior e infinitamente mais povoado. Todos os europeus que se estabeleceram na América – uns mais, outros menos, – foram responsáveis pelo genocídio dos pré-colombianos.

Ao fim do período colonial, no século, os povos pré-colombianos ainda existiam, em número significativo, nas regiões de impérios bem- povoados, como os que correspondiam aos impérios asteca e inca, ou em regiões ainda impenetráveis para os europeus  os sertões do Brasil, o interior da Floresta Amazônica e as regiões montanhosas da cordilheira andina.

Outros locais em que os indígenas viveram razoavelmente sem problemas eram o atual oeste americano, o interior da Argentina e do Uruguai e o Chile, onde praticamente não existia nenhum povoamento europeu.

Mais tarde, quando esses países se tomaram independentes, o povoamento de descendentes europeus intensificou-se e os pré-colombianos também foram massacrados em nome do progresso. Nas Antilhas, menos de uma década depois da conquista espanhola, os indígenas já estavam praticamente extintos.

Quais os motivos que levaram ao genocídio dos pré-colombianos?

Em primeiro lugar, a própria conquista. Conquista, nesse caso, significa apenas o domínio dos homens e a exploração de seus recursos. Como sabemos, quando chegaram ao Novo Mundo, os europeus estabeleceram-se naquelas regiões que já possuíam um mínimo de povoamento e organização. Eles só poderiam sobreviver onde houvesse uma agricultura nativa para alimentá-los.

Os pré-colombianos foram submetidos ao trabalho forçado pelos europeus para produzir os alimentos e procurar o ouro. No Brasil Colônia, os índios foram escravizados.

O trabalho excessivo, as péssimas condições de vida e a fome dizimaram as tribos do litoral. No século XVII, os bandeirantes paulistas, em busca de escravos indígenas, destruíram as missões jesuíticas do Brasil e mesmo da América espanhola. Foram mortos milhares de indígenas que viviam sob a proteção dos jesuítas.

Doenças, como a gripe, a varíola e o sarampo, para as quais os indígenas não tinham resistência, também dizimaram os pré-colombianos. A imposição da fé católica e a destruição cultural e do modo de vida dos nativos também contribuíram para o desaparecimento de vários grupos. Seus deuses e rituais estavam mortos, suas crenças eram perseguidas. Haviam perdido suas referências psicológicas. O trabalho monótono, intensivo, forçado, sem lazer nem ritual religioso, tirava-lhes a alegria de viver, deixava suas vidas sem razão.

Muitos desses povos evitaram reproduzir-se, optando pela autoextinção. Para fugir dessa opressão, buscavam regiões inóspitas, onde as condições de vida e a alimentação eram diferentes daquelas a que estavam acostumados, o que tomava sua existência mais difícil. A derrubada das matas para o plantio de cana-de-açúcar ou para a criação de gado transformou o quadro natural e afetou o habitat pré-colombiano, chegando mesmo a provocar profundas modificações na dieta dos nativos.

Esta é a história do genocídio dos pré-colombianos.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral