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Fatores da Reforma Protestante

A Reforma Protestante

Reforma Protestante foi um movimento de transformação religiosa, iniciado fora da Igreja Católica e em oposição a ela. É um erro considerar a Reforma um movimento puramente religioso, pois ela teve implicações econômicas, políticas e sociais, na medida em que também explicitou interesses de várias classes sociais e contou com a participação do poder real, que queria fortalecer o poder nacional, em oposição à Igreja Católica.

Vários fatores contribuíram para o desencadeamento da Reforma Protestante. De um modo geral, podemos destacar alguns, tais como:

  • O fortalecimento da burguesia;
  • A formação das monarquias nacionais;
  • O Renascimento Cultural;
  • O fator religioso – a desmoralização da Igreja em uma época de expansão da fé popular;

A expansão marítima e comercial europeia, do final do século XV e início do XVI, desenvolveu um mercado mundial que fortaleceu a burguesia, interessada na reforma religiosa. Essa classe era contra a moral econômica da Igreja, elaborada por Tomás de Aquino nos fins da Idade Média, que instituiu o “preço justo”, limitando o lucro e impedindo desenvolvimento do comércio. A burguesia também não aceitava o luxo do culto católico e o custo do clero, em grande parte financiados por ela. Finalmente, havia a questão dos capitais, que a Igreja retirava dos países europeus e mandava para Roma, dificultando o desenvolvimento comercial desses países e prejudicando, consequentemente, a burguesia.

Com o surgimento dos Estados centralizados, o poder real e a Igreja entraram em conflito, porque esta última constituía empecilho ao fortalecimento dos Estados nacionais que formariam as atuais nações. A maioria dos reis não tinha autoridade sobre os clérigos, que obedeciam somente ao papa. As vastas terras da Igreja estavam fora da jurisdição real e não pagavam impostos. A esses fatores soma-se o desvio de capitais para Roma, o que contribuiu para enfraquecer os tesouros reais. Muitos reis, como Henrique VIII, da Inglaterra, promoveram a Reforma Protestante para controlar a Igreja.

A medida que se desenvolveu uma cultura antropocêntrica que valorizava o homem, incentivava o espírito crítico e, através do individualismo, apoiava o livre exame da Bíblia, criou-se a base intelectual necessária para a realização da Reforma Protestante. Os humanistas evangélicos, como Erasmo de Rotterdam, pregavam a necessidade de renovação da Igreja Católica para aproximá-la do cristianismo primitivo, acabando com os abusos do clero e transformando-a em uma Igreja pobre. Esses fatores, somados à prática de venda de cargos religiosos, indulgências e relíquias sagradas, tomaram a Igreja alvo fácil da crítica dos intelectuais, dos fiéis e dos próprios religiosos interessados em reformá-la.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral