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Segunda fase: 1914 a 1955, a fase nacionalista

Como foi a fase nacionalista? A crise econômica mundial de 1929 precipitou o fim do ciclo do café. Por outro lado, acelerou ainda mais o ritmo da industrialização brasileira, sobretudo a partir de 1930, quando Getúlio Vargas assumiu pela primeira vez a presidência da república.

Vários fatores impulsionaram essa segunda revolução industrial brasileira: A crise do capitalismo mundial, iniciada em 1929, estendeu-se por alguns anos da década seguinte e provocou falências em muitos países fornecedores de manufaturados ao Brasil. O fim da concorrência estrangeira criou condições para a implantação e desenvolvimento de indústrias nacionais em muitos setores novos.

A crise de 1929 desencadeou um forte êxodo. Sem ocupação nas fazendas de café, multidões de trabalhadores rurais procuraram as cidades, aumentando o mercado consumidor e a oferta de mão deobra operária. A política nacionalista dos governos de Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954), caracterizada pela decisiva intervenção do Estado na economia, Transformado em agente fomentador da industrialização, o Estado brasileiro realizou pesados investimentos, graças aos quais foram implantadas uma moderna infraestrutura e inúmeras indústrias de base.

Foram construídos muitos portos, além de sistemas de transporte terrestres e de geração de energia. Foram fundadas grandes companhias de capital estatal, destacando-se a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em 1942, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1947, a Companhia hidroelétrica do São Francisco (Chesf, em 1951, a Petrobras, em 1953) e outras.

A disponibilidade das matérias-primas produzidas por essas indústrias de base estatais estimulou a criação de diversas indústrias privadas de capital nacional. Equipadas com uma tecnologia menos sofisticada que a das indústrias de bens de consumo duráveis, a instalação de indústrias de bens de consumo não duráveis necessita de menos investimentos. Por isso, foi registrado um aumento maior do número de indústrias privadas de bens de consumo não duráveis, como tecelagens, fábricas de produtos alimentícios e de bebidas, fábricas de calçados, estabelecimentos de torrefação de café etc.

O atrativo representado pelo complexo cafeeiro em São Paulo, já referido: a mãodeobra abundante e relativamente qualificada dos imigrantes e seus descendentes, o grande mercado consumidor, a infraestrutura disponível, os capitais acumulados etc.

O desencadeamento da Segunda Guerra Mundial, porém, foi uma barreira à importação de máquinas industriais, pois muitos países fornecedores envolveram- se no conflito. Em consequência, houve uma imediata, embora momentânea, redução do ritmo de industrialização do Brasil. Por outro lado, a guerra acarretou um leve afrouxamento dos laços de dominação econômica da Inglaterra e dos Estados Unidos. Ocorre que, ao dificultar a importação de manufaturados desses países, a guerra estimulou a “substituição de importações”, que os estudiosos consideram o típico processo industrial brasileiro. Ou seja, a industrialização brasileira desenvolveu-se naquele momento histórico porque era preciso substituir as importações de manufaturados da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha e de outros países desenvolvidos por similares produzidos pela indústria nacional.

Dai o crescimento da produção industrial nos anos imediatamente posteriores à guerra: de 6,2% durante a guerra para 8,9% entre 1946 e 1950. A inauguração da CSN, em Volta Redonda, em 1947 (sua construção foi iniciada em 1941) foi fundamental para essa expansão.

Contudo, foi Gonçalves Dias o consolidador da fase em questão. Fase esta conhecida como fase nacionalista.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: Geografia do Brasil