A Expansão Francesa

Como ocorreu a expansão francesa? No princípio do século XVI, a sociedade francesa continuava dividida em ordens ou estados, como na Idade Média. Cada ordem tinha uma missão “divina”. A missão mais elevada era atribuída ao clero, que deveria conduzir os homens para a vida eterna, por isso ocupava o primeiro lugar na sociedade.

O segundo lugar pertencia à nobreza, os guerreiros, cuja função era lutar pela segurança dos homens. O terceiro estado era ocupado pelos trabalhadores, que deveriam assegurar a sobrevivência de todos. Aí estavam incluídos os burgueses. O desenvolvimento do comércio e o surgimento da riqueza monetária criaram diferenciações dentro de cada ordem, embora não subvertessem a sociedade.

A religião estava presente em todos os atos públicos e privados. Os próprios reis franceses só deviam satisfações de seus atos a Deus, e revoltar-se contra eles era considerado heresia. Isso quer dizer que a França caminhava para um Estado absolutista, com concentração total do poder nas mãos dos reis. A monarquia francesa era deficiente.

Várias cidades e regiões estavam isentas do pagamento dos impostos e tinham autonomia política e financeira; o exército real, envolvido em várias guerras, e o funcionalismo público custava caro ao tesouro real; o controle da burocracia era difícil, porque muitos cargos eram comprados por pessoas interessadas em ter autonomia em suas funções e aumentar suas rendas.

O Estado francês estava sempre quebrado. Nem a criação constante de novos impostos e nem o aumento das alíquotas equilibravam a situação, a qual se agravou com as guerras religiosas, que acabaram por enfraquecer o poder real e pioraram ainda mais a situação financeira do país.

O rei francês, Francisco 1, não aceitou o Tratado de Tordesilhas. Ignorando-o na prática, os franceses, no início do século XVI, dirigiram-se para a costa da América, onde contrabandeavam o Pau-Brasil, nas possessões portuguesas, e atacavam os galeões espanhóis que, carregados de metais preciosos, iam do Novo Mundo para a Europa. Como o Estado ainda não estava centralizado, não era possível planejar, organizar e financiar a aventura marítima. Com a Reforma Protestante e as guerras religiosas, o Estado enfraqueceu-se ainda mais, entravando a expansão marítima francesa.

Até o surgimento do protestantismo, o ditado dominante francês era: “um rei, uma fé e uma lei”, mas a Reforma religiosa quebrou essa unidade. Como outros países europeus, a França foi dividida em dois campos antagônicos: católicos e huguenotes, que eram os calvinistas franceses. Apesar de perseguido, o protestantismo propagou-se e organizou-se por quase todo o reino. Cidades importantes, como Paris, Lion, Rubem e Orleans, onde o comércio e o artesanato eram desenvolvidos, tornaram-se centros irradiadores do calvinismo. Muitos nobres aderiram à Reforma, arrastando consigo seus dependentes e camponeses. As tensões entre católicos e calvinistas provocaram vários conflitos armados no reinado de Carlos 1X (1560-1574).

Em 24 de agosto de 1572, na noite de São Bartolomeu, foram exterminados cerca de 30 mil huguenotes em Paris. Os protestantes franceses revoltaram-se, dando início às guerras religiosas que limitaram o desenvolvimento do poder real até o começo do século XVII. Essa guerra civil envolveu outros países da Europa. O católico Filipe II da Espanha enviou tropas para ajudar seus partidários de fé. A Inglaterra e os príncipes protestantes alemães enviaram dinheiro e tropas de apoio aos huguenotes.

As guerras de religião terminaram quando o rei de Navarra, Henrique de Bourbon, chefe dos protestantes, abjurou de sua fé e assumiu o trono francês. Pelo Édito de Nantes (1598), o novo soberano estabeleceu a liberdade de culto. A harmonia finalmente se estabeleceu entre os nobres franceses que se haviam matado em nome da divisão religiosa e enfraquecido o poder real. Com a Dinastia dos Bourbon, o absolutismo francês foi definitivamente implantado. Durante os conflitos na França, os huguenotes refugiaram-se no litoral fluminense do Brasil, fundando uma colônia, a França Antártica (1555).

Foram expulsos no governo de Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil mais tarde, no século XVII, o Estado francês financiou uma expedição para fundar outra colônia, desta vez no Maranhão, a França Equinocial (1612). Essa colônia tinha funções militares e econômicas bem definidas. Não se tratava mais de refúgio para perseguidos religiosos, mas de uma obra incentivada pela coroa francesa, que pretendia penetrar no rico vice-reinado espanhol do Peru. Os franceses foram expulsos, em 1615, por Jerônimo Albuquerque. Na América, os franceses ocuparam também parte das Guianas, algumas ilhas nas Antilhas, como Martinica e Guadalupe, parte da Ilha de São Domingos, atual Haiti, parte do Canadá e a Louisiana, no atual Estados Unidos. E assim, surgiu a expansão francesa.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: História Geral