A Situação Geral da Rússia Antes da Revolução

A história da Rússia pré-revolucionária começou no século XIX. A principal característica da Rússia antes da revolução de 1917 era o grande atraso econômico em relação aos países da Europa ocidental. Nessa época, o país possuía 22 milhões de quilômetros quadrados e mais de 100 milhões de habitantes.

Enquanto Inglaterra, França e Alemanha passavam por um processo acelerado de desenvolvimento urbano industrial, evoluíam para regimes constitucionais-parlamentares e realizavam um enorme avanço técnico-científico, a Rússia permanecia no atraso econômico, social, político e cultural.

Situação Econômica e Social da Rússia antes da Revolução de 1917

Sendo um país predominantemente agrário e semifeudal, a aristocracia rural e o clero ortodoxo detinham o controle da propriedade da terra. O processo de industrialização, por sua vez, iniciara apenas nas últimas décadas do século XIX, caracterizando-se por sua extrema concentração em algumas grandes cidades, como Kiev, Moscou e Petrogrado, então capital do país.

Além disso, mais de 50% dos capitais investidos na indústria fabril eram estrangeiros, principalmente de origem francesa, alemã e inglesa. Essa industrialização tardia, dependente e concentrada produziu, por um lado, uma burguesia traça e incipiente e, por outro, um proletariado forte, organizado e combativo, que, dadas as suas origens rurais, mantinha estreitos vínculos com os camponeses.

O atraso econômico se refletia na vida social do país, cuja sociedade permanecia essencialmente rural, com os camponeses formando 80% de toda a população. Nas cidades, onde era reduzido o índice de urbanização, concentrava-se a classe operária, formada por cerca de seis milhões de trabalhadores. A burguesia e a aristocracia, por sua vez, não chegavam a constituir 10% da sociedade.

A Rússia terminava o século XIX com grandes problemas. De uma tentativa de reformas passou para um período de repressões violentas. Mas o desenvolvimento econômico se fez mesmo assim. Sendo um país atrasado, A Rússia viu-se obrigada, para não ficar muito atrás, a saltar de uma economia ultrapassada para uma economia bem mais dinâmica.

Quase sem rotas nacionais, a Rússia viu-se obrigada a construir vias férreas. Sem haver passado pelo artesanato e pela manufatura (como passou a Europa), saltou diretamente para a produção mecanizada, afinal, saltar as etapas intermediárias é o caminho dos países mais atrasados.

Todavia, paralelamente ao desenvolvimento econômico, aumentou o número de grupos políticos contrários à monarquia dos czares, a ponto de um deles ter praticado um atentado contra o imperador, tirando-lhe a vida.

A Situação Política da Rússia Antes da Revolução

Após a morte de Alexandre II, iniciou-se o governo de Alexandre III, cuja preocupação principal foi a perseguição de partidos políticos de oposição e a formação de uma grande rede policial para repressão: a Okhrana, polícia do czar. Contudo, partidos e grupos políticos que queriam acabar com a autocracia passaram para a clandestinidade:

  • Os Narodnik, acreditando que a revolução deveria se apoiar somente nos camponeses, eram de tendência anarquista e achavam que, praticando atentados contra as instituições, poderiam derrubar o regime. Esse ponto de vista era criticado pelos Social-Democratas;
  • Os Social-Democratas, socialistas, que baseavam seus pensamentos nas teorias de Karl Marx, achavam que a revolução na Rússia só poderia ser feita apoiada primeiro nos trabalhadores das cidades, isto é, nos operários, e só depois nos camponeses.

Como a Rússia era um país atrasado em relação aos outros, supunham que, ao ser feita a revolução socialista de cada país adiantado e industrializado, a Rússia seria arrastada pelos movimentos e faria também a sua revolução. Todavia, ficou provado, mais tarde, que esta teoria não se aplicou na realidade, pois a Revolução começou na Rússia e não nos países industrializados.

Durante o reinado de Alexandre III, penetrou na Rússia grande quantidade de capitais franceses para a industrialização. Isso fez crescer a classe operária nas grandes cidades como Moscou e Petrogrado, que trabalhava em péssimas condições. Esses operários passavam fome, moravam em barracos e recebiam baixíssimos salários.

Em 1894, sobe ao trono o novo Czar Nicolau II. Durante esse período, a industrialização cresceu (e, consequentemente, o número de operários também) aumentando a atuação do partido Social-Democrata. Em contrapartida, cresceu também a ação da Okhrana (polícia política), que tentava acabar com esse partido. Muitos membros importantes do Social-Democrata foram obrigados a emigrar ou a viver na clandestinidade devido à perseguição policial.

Enquanto no Ocidente europeu os países evoluíram para regimes liberais, a Rússia vivia ainda na era do absolutismo, sendo um império autocrático da dinastia Romana, que se recusava a conceder a seus súditos um governo constitucional e parlamentar.

Entretanto, mesmo fora de seu país, surgiram nomes importantes que se destacaram como líderes dos socialistas: George Plekanov, introdutor do pensamento marxista na Rússia e grande teórico; Vladimir Ulianov, conhecido como Lenin, tido como o mais importante membro do partido, pois tentava sempre praticar aquilo que pregava; Leon Bronsthcin, conhecido como Leon Trotski, outro membro importante pelas atividades relativas à organização de manifestações.

No entanto, existia um grande problema entre esses socialistas: qual o melhor caminho que os operários e o partido deveriam seguir para chegar ao poder? Para resolver o problema, fizeram uma reunião em Londres em 1903, já que não podiam fazer na Rússia, pois estavam sendo procurados pela Okhrana).

Duas facções se formaram: uma, achando que deveria chegar ao poder através da luta, ganhou a maioria dos votos, ficando, por isso, conhecida com o nome de Bolchevique (que significa maioria). A outra, achando que deveria participar normalmente de atividades políticas (eleições de representantes, etc.), teve menos adeptos que a anterior, sendo conhecida com o nome de Menchevique (que significa minoria).

Lenin passou a ser o líder dos Bolcheviques e Plekanov e Martov, os líderes dos Mencheviques. Trotski, que ficou de início sem apoiar nenhuma das duas facções, somente mais tarde aderiu aos Bolcheviques.

Aspectos Culturais da Rússia Pré-Revolucionária

Quanto à cultura, na Rússia pré-revolucionária, ao lado de uma refinada influência europeia existente nas grandes cidades, no campo continuavam a predominar usos, costumes e tradições orientais.

Um exemplo do atraso cultural era o fato de a Rússia adotar ainda o calendário Juliano, enquanto nos países do Ocidente europeu vigorava o calendário gregoriano.

A diferença de 13 dias de um calendário para outro como que refletia, em termos históricos, o atraso da Rússia em relação à Europa ocidental.


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