União Soviética Pós Segunda Guerra Mundial

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De todos os Estados europeus atingidos pela guerra, a União Soviética foi, provavelmente, o menos afetado. Não houve ruptura nem no campo político nem na ordem social, pois a superação da crise realizou-se dentro dos princípios e diretrizes existentes antes de 1939.

Por outro lado, profundas transformações efetuavam-se na Europa central e oriental e um clima de instabilidade política tomava conta da França e da Itália.

4° Plano Quinquenal

A reconstrução da União Soviética após a Segunda Guerra processou-se de maneira muito rápida: em apenas quatro anos retornou ao nível de produção anterior ao conflito mundial. Mesmo tendo de dedicar boa parte de sua mão-de-obra e esforço produtivo à produção bélica, atitude forçada pela crescente tensão internacional, a União Soviética alcançou cifras bastante significativas ao final do 4° Plano Quinquenal (1946-1950).

Em relação a 1940, o índice da produção industrial atingiu 71%, as máquinas e material de equipamento cresceram 60% e os produtos químicos, 80%. A produção de carvão chegou a 250 milhões de toneladas e a de aço, a 27 milhões.

Esse esforço, entretanto, resultou em relegar a segundo plano a produção de bens de consumo, que foi menor em relação aos planos quinquenais precedentes. Também na agricultura os objetivos não foram atingidos, alcançando-se 84% da meta prevista.

5° Plano Quinquenal

O 5° Plano Quinquenal (1951-1955) também concentrou seus esforços no setor de bens de produção. Mobilizando ao máximo a população, Stalin comandou a rápida transformação da União Soviética na segunda potência industrial do mundo.

Mas com a sofisticação da economia surgiram problemas que não podiam mais ser resolvidos pelas imposições costumeiras. O centralismo, tido até então como virtude absoluta, já encontrava inimigos até mesmo dentro dos altos escalões do Partido Comunista.

O povo soviético sentia-se esgotado por mais de três décadas de sacrifícios despendidos na construção das bases da industrialização socialista. Os apelos ideológicos já não encontravam a mesma resposta. A urbanização e a industrialização, realizadas no período de Stalin, haviam gerado uma sociedade que agora exigia mais bens de consumo.

Em outubro de 1952 realizou-se o XIX Congresso do Partido Comunista, mas, ao contrário dos anseios sociais, as resoluções aprovadas endureciam a política interna e externa soviética.

Morte de Stalin – Novo Governo

Em março de 1953, morre Stalin, vítima de um derrame cerebral. Lavrentiy Beria, chefe da Polícia Política, Nikita Kruschev e Georgy Malenkov disputavam o mando do Partido Comunista, mas o primeiro foi preso e posteriormente fuzilado sob a acusação de abuso do poder.

Malenkov, mais identificado com a burocracia administrativa, e Kruschev, com maior respaldo no aparelho partidário, competiam pela chefia soviética. e propunham uma política contrária ao stalinismo extremado.

Em 1955, pressionado pelo partido, Malenkov demitiu-se do cargo de primeiro-ministro, sendo rebaixado para um posto ministerial secundário, tornando-se Kruschev o homem forte do partido. A polícia sofreu reformulações liberalizantes, críticos de Stalin foram reabilitados, o Kremlin (Palácio do Governo) foi aberto aos turistas, líderes políticos visitaram províncias e o exterior, reduziram-se as restrições a estrangeiros.

Em fevereiro de 1956, em uma das sessões do XX Congresso, Kruschev fez um relatório com veementes ataques a Stalin. O falecido líder foi acusado de “flagrantes abusos de poder”, “brutalidade” e ‘teimosia”. A ele se atribuiu a responsabilidade pelos expurgos e prisões em massa do pré-guerra que, conforme o relatório, “causaram tremendo mal ao nosso país e à causa do progresso socialista”.  Detalhou-se a forma pela qual, através de torturas, pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes que não haviam cometido, sendo sentenciadas a penas previamente decididas.

O XX Congresso reconheceu que, ao contrário do que era afirmado até então, diferentes países poderiam chegar ao socialismo por caminhos diversos. Refutou, também, a tese de Lenin sobre a inevitabilidade da guerra entre países capitalistas e socialistas.

A crítica a Stalin estimulou a fermentação intelectual que pôs em xeque o mundo socialista. No início de 1957, Kruschev persuadiu o Partido Comunista a abolir a maior parte dos ministérios industriais e a dividir o país em cerca de 200 regiões econômicas, que passaram a ter, individualmente, um conselho econômico com amplos poderes.

Naturalmente, a maioria dos funcionários dos ministérios dissolvidos passaram a opor-se a Kruschev. Por outro lado, os membros dos conselhos econômicos regionais, agora com real influência, tornaram-se forte sustentáculo para as inovações a serem implementadas.

O regime soviético pós-Stalin propiciou à população um padrão de vida mais alto. A economia cresceu à média anual de 6,8%, e as mudanças nas prioridades do planejamento permitiram uma elevação do consumo per capita em 5,3% ao ano.

Em 1958 os salários não-agrícolas eram 38% mais altos, em termos reais, se comparados com 1952. Para dar vazão a esses ganhos, as lojas ofereciam novos tipos de bens de consumo duráveis. Entre 1952 e 1958, a renda das fazendas dobrou, ficando, no entanto, ainda muito atrás do crescimento industrial. A habitação urbana, por seu lado, embora barata, continuou escassa.

Kruschev esperava que a União Soviética viesse a superar os Estados Unidos na produção per capita de alimentos. Essa meta, entretanto, não se configurou, persistindo a disparidade entre atraso rural e o notável desenvolvimento nos campos educacional, tecnológico, industrial, da saúde e da exploração espacial.

A prosperidade material dos cidadãos soviéticos cresceu, mas os objetivos declarados do socialismo eram muito mais amplos que o simples suprimento das necessidades materiais básicas. Com a morte de Stalin, o rígido sistema de controle ávida política, social e intelectual soviética começou a apresentar brechas.

Degelo

Mas foi apenas após o XX Congresso que teve início o degelo (expressão extraída de um conto do escritor soviético Lyra Ehrenburg). Artistas passaram a retratar a vida soviética com franqueza até então inusitada. O realismo socialista, corrente artística anterior, era criticado pela sua artificialidade.

Ressaltava-se a distância entre governantes e governados. E, embora o estático academicismo no período de Stalin continuasse como única arte oficialmente aceita, os artistas inovadores já podiam divulgar seus trabalhos sem serem molestados.

A manifestação de maior repercussão do “degelo” foi o surgimento de um grupo de jovens poetas. O mais popular entre eles, Yevgeny Yevtushenko, entrou publicamente em conflito com Kruschev e não sofreu represálias.

Em 1962, o mesmo poeta publicou no jornal do partido o poema “Os herdeiros de Stalin”, trazendo criticas ao stalinismo e levantando indagações sobre futuro: “Como removeremos Stalin do âmago de seus herdeiros?”.

De fato, não se tratava de uma liberalização definitiva. Receosos dos resultados que a distensão política poderia acarretar, setores do partido prepararam a derrubada de Kruschev, conseguindo que, em outubro de 1964, ele se demitisse, alegando a idade avançada. A secretaria do partido foi assumida por Brejnev e a chefia do governo por Kossiguin.

O “degelo” não foi totalmente paralisado, mas teve nos novos líderes um freio em sua dinâmica. Em 1966, os escritores Sinyavsky e Daniel eram processados e encarcerados, atitude repressiva que não ocorria desde 1956.

A morte de Leonid Brejnev em 1982 deu início a importantes transformações no mundo socialista. Em seu lugar, assumiu Yuri Andropov que, contudo, permaneceu poucos meses à frente do governo soviético. Após sua morte, tomou posse Konstantin Tchernenko, que faleceu também após poucos meses na direção da União Soviética.

Assumiu o poder, então Gorbatchev, político de tendência reformista, que buscou modernizar a economia e as instituições do país.