Migrações internas

Migrações internas são os deslocamentos populacionais que ocorrem dentro de um mesmo país. O êxodo rural é um dos mais importantes, constituindo-se no deslocamento de pessoas do campo para a cidade. Via de regra, tem caráter definitivo e suas principais causas são a industrialização, a expansão do setor terciário e a mecanização da agricultura. No caso dos países subdesenvolvidos, além das causas mencionadas as precárias condições de vida no campo, podem ser apontadas como a causa principal do deslocamento do homem para as cidades.

O êxodo rural ocorreu primeiro nos países desenvolvidos a partir do século XVIII com a Revolução Industrial, que provocou o desenvolvimento industrial e urbano e a progressiva mecanização da agricultura, liberando mão de obra para as cidades. Em 1900, a população urbana mundial era de apenas 5% e as doze cidades mais populosas do mundo (mais de 1 milhão de habitantes cada) situavam-se em países desenvolvidos. As mais populosas eram Londres (6,4 milhões), Nova Iorque (4,2) e Paris (3,9). Atualmente, em vários países desenvolvidos, o deslocamento do homem do campo para a cidade é muito pequeno ou quase nulo.

Nos países subdesenvolvidos, o êxodo rural adquiriu grande intensidade após a Segunda Guerra Mundial, atingindo nas duas últimas décadas proporções assustadoras. Como já dissemos, suas principais causas foram a industrialização, a expansão do setor terciário e sobretudo, as precárias condições de vida no campo. O caso do Brasil é exemplar: em 1940, nossa população rural representava 69% da população total e em 1990 apenas 24%. Calcula-se que no ano 2000 cerca de 50% da população mundial estará vivendo em cidades. Por outro lado, estimativas da ONTJ indicam que, das 26 cidades mais populosas do mundo (todas com mais de 10 milhões de habitantes), vinte delas estarão em países subdesenvolvidos, o que nos dá uma ideia das proporções e da gravidade do êxodo rural nesses países.

Além do êxodo rural, existem várias outras migrações internas decorrentes quase sempre do desejo de melhoria das condições de vida ou mesmo de uma melhoria repentina das condições econômicas (garimpeiros, por exemplo). Devem ocorrer de urna zona rural pobre para outra zona rural mais próspera, de uma pequena ou média cidade para uma grande cidade ou metrópole, ou de qualquer uma dessas áreas para outras que tenham algum fator ou elemento atrativo (extração mineral, colonização, fácil acesso à terra, estímulos governamentais etc.). Dentre as migrações internas de caráter temporário podemos destacar as migrações sazonais, que estão relacionadas às diferentes estações do ano. Essas migrações são do tipo “vai e volta”, isto é, o indivíduo desloca-se da sua área de origem para outra área, retornando posteriormente.

Na África temos, por exemplo, o deslocamento de trabalhadores das regiões semi-áridas do sul do Saara para as áreas úmidas na época da colheita do cacau ou do café. Ao iniciar o período úmido em suas áreas de origem, esses trabalhadores retornam a seus lares. Na Europa ocorre o deslocamento de pastores das planícies para as encostas montanhosas durante o verão e seu consequente retorno durante o inverno. É a chamada transumância. No Brasil, como exemplo podemos citar o deslocamento de nordestinos do Agreste, durante a estiagem, para a Zona da Mata durante a colheita e moagem da cana-de-açúcar. Quando o período úmido se mídia no Agreste, eles retornam para cuidar de suas roças. Essa migração é também chamada, aqui no Brasil, de transumância.

Os tipos de migrações internas temporárias são as migrações diárias ou com mu Ting. São típicas das grandes cidades industriais e metrópoles mundiais e trata-se do deslocamento de milhares ou milhões de trabalhadores da periferia e dos subúrbios, pela manhã, em direção ao sem outro, retornando a seus lares após a jornada de trabalho.

Atualizado em: 27/10/2017 na categoria: Historia do Brasil